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De “Irmão ” a relator?

Mensagens de Vorcaro voltam ao centro do STF após Fux receber ação envolvendo mulher de Moraes

22/09/2026 às 17h34 Atualizada em 22/09/2026 às 17h52
Por: Redação Fonte: Cabra da Peste
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De “irmão” a relator: mensagens de Vorcaro voltam ao centro do STF após Fux receber ação envolvendo mulher de Moraes

 

Uma semana depois de virem a público conversas em que Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, tratava Daniel Vorcaro como “irmão”, o magistrado foi sorteado para relatar no STF uma ação que envolve o ex-banqueiro e Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes. Os episódios são distintos, mas agora se cruzam na cronologia do caso Banco Master.

Brasília — 22 de setembro de 2026

Uma sequência de acontecimentos separados por apenas sete dias colocou novamente o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, no centro das repercussões do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.

Em 15 de setembro de 2026, vieram a público mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro mostrando uma relação de proximidade entre o empresário e Rodrigo Fux, advogado e filho do ministro do STF. As conversas divulgadas naquele dia haviam ocorrido principalmente entre 2024 e 2025.

Nesta terça-feira, 22 de setembro, um novo capítulo acrescentou peso à cronologia: segundo reportagem do Valor Econômico, Luiz Fux foi sorteado para assumir a relatoria de um mandado de segurança que envolve o próprio Vorcaro e Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes.

A redistribuição ocorreu depois de Moraes declarar-se impedido de analisar o processo.

O resultado produz uma coincidência processual relevante para o noticiário: o ministro cujo filho apareceu em conversas amistosas com Vorcaro passa agora a conduzir uma ação na qual o nome do ex-banqueiro está entre os principais alvos do pedido de informações.

Isso, por si só, não significa que exista impedimento jurídico de Fux nem demonstra qualquer irregularidade. Mas conecta, no mesmo momento, duas frentes que até então caminhavam separadamente.

As mensagens: “Fala, irmão”

As conversas divulgadas em 15 de setembro foram extraídas do telefone de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal.

Em 17 de maio de 2024, Rodrigo Fux iniciou um diálogo com o banqueiro em tom informal:

“Fala irmão. Tudo bem?”

Vorcaro respondeu segundos depois:

“Fala amigo. Tudo certo?”

Os registros revelados pela imprensa mostram ainda tentativas de marcação de reuniões, encontros e outros contatos entre os dois.

Outro diálogo ocorreu em 4 de dezembro de 2024.

Rodrigo perguntou se Vorcaro estaria em Brasília e tentou combinar um café em seu escritório. Depois de ajustar o horário para conseguir recebê-lo, escreveu:

“Tapete vermelho, irmão.”

Vorcaro respondeu:

“Valeu, irmão.”

Um mês antes, em novembro de 2024, Vorcaro havia procurado o advogado dizendo que queria chamá-lo para ajudá-lo em um caso. Segundo as mensagens divulgadas, Rodrigo respondeu que seria um prazer ajudar. A Folha relatou ainda que, depois de uma videoconferência, Vorcaro encaminhou um documento ao advogado, que disse que faria a análise.

Há também registros de novos contatos em fevereiro de 2025, quando Rodrigo e Vorcaro teriam combinado um encontro em Brasília.

O elo com Luiz Fux

Parte das mensagens também relaciona Rodrigo Fux a tratativas envolvendo eventos dos quais seu pai participaria.

Reportagens apontaram que o advogado teria feito contatos relacionados à presença de Luiz Fux em evento ligado ao círculo empresarial de Vorcaro.

Nesta terça-feira, 22 de setembro, outra reportagem da Folha informou que diálogos obtidos pela PF indicariam que empresas foram usadas para custear despesas relacionadas a uma viagem e a um almoço em homenagem a Fux em Nova York, em maio de 2024.

Fux afirma que foi convidado pela Forbes e que não manteve contato com Vorcaro. A Forbes declarou que houve patrocínio empresarial no evento.

A Fux Advogados, por sua vez, nega ter mantido relação comercial com Daniel Vorcaro ou com o Banco Master.

O escritório afirma que nunca advogou para o banqueiro ou para empresas do grupo, não celebrou contrato e não recebeu pagamentos. Segundo a banca, o conteúdo das mensagens refletiria apenas uma tentativa de aproximação comercial que não teria resultado em contratação.

18 de setembro: Moraes é sorteado

Enquanto as mensagens envolvendo Rodrigo Fux repercutiam, outro processo relacionado aos personagens do caso chegava ao Supremo.

O vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo-PR) ingressou com mandado de segurança para tentar obter registros de entrada e saída no Senado Federal de várias pessoas.

Entre elas estão Daniel Vorcaro e Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

O processo chegou ao STF em 17 de setembro.

No dia seguinte, 18 de setembro, o sistema eletrônico da Corte sorteou justamente Alexandre de Moraes para relatar a ação.

O pedido também busca informações relativas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha; Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS; e José Ferreira da Silva, Frei Chico, entre outros nomes.

A discussão começou depois de o Senado negar o fornecimento dos registros sob o argumento de que se tratava de informações pessoais. A Justiça Federal do Paraná posteriormente entendeu que não tinha competência para decidir o mandado de segurança contra ato atribuído ao presidente do Senado, levando a demanda ao Supremo.

21 de setembro: Moraes deixa o caso

Na segunda-feira, 21 de setembro, Alexandre de Moraes declarou-se formalmente impedido de atuar na ação.

Ele citou o artigo 144, inciso IV, do Código de Processo Civil, norma que estabelece hipótese de impedimento quando determinadas relações familiares estão envolvidas no processo.

“Com fundamento no art. 144, IV, do CPC, declaro-me impedido de atuar no presente feito”, decidiu o ministro, conforme noticiado pela Agência Brasil.

Com a decisão, os autos foram encaminhados para nova distribuição.

22 de setembro: o processo chega a Fux

No novo sorteio, realizado sem Alexandre de Moraes, Luiz Fux foi escolhido como relator, segundo reportagem publicada pelo Valor Econômico nesta terça-feira (22).

É nesse ponto que as duas linhas do tempo se encontram.

De um lado, há um processo destinado a descobrir se Vorcaro, Viviane Barci e outros personagens tiveram acesso às dependências e a gabinetes do Senado entre 2019 e 2026.

Do outro, existem mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostrando que o filho do novo relator manteve contatos amistosos e tentou estabelecer relações profissionais com o próprio Vorcaro anos antes.

Até o momento, as informações divulgadas sobre Rodrigo Fux não demonstram que o escritório tenha sido contratado ou remunerado por Vorcaro. A banca nega ambas as hipóteses.

Também não há, nos fatos apresentados até aqui, decisão declarando Luiz Fux impedido ou suspeito para conduzir o novo processo.

O contexto envolvendo Viviane Barci

O nome de Viviane Barci entrou de forma mais ampla no caso após a revelação de relações contratuais entre seu escritório e o Banco Master.

Reportagens apontam a existência de um contrato de R$ 131 milhões entre a banca e a instituição financeira. Informações obtidas pela PF também deram origem a controvérsias sobre a participação de Alexandre de Moraes na edição de documentos relacionados ao acordo. O escritório nega irregularidades e sustenta que eventual participação do ministro ocorreu em âmbito privado, como marido de Viviane.

Outro episódio ganhou repercussão no último fim de semana.

Após a divulgação de imagens do casal utilizando uma aeronave ligada a uma empresa associada a Vorcaro, o escritório de Viviane informou que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes fornecedores, entre eles a Prime Aviation.

Segundo a banca, Vorcaro nunca esteve presente nos voos e não existe vínculo pessoal entre os passageiros e proprietários das aeronaves. O escritório afirmou ainda que, em algumas viagens, Viviane esteve acompanhada pelo marido.

Uma cronologia que agora converge no Supremo

A sequência dos acontecimentos ajuda a dimensionar o novo capítulo:

17 de maio de 2024 — Rodrigo Fux chama Daniel Vorcaro de “irmão” em mensagem.

Novembro de 2024 — Vorcaro pede ajuda a Rodrigo Fux em um caso; o advogado responde que seria um prazer ajudar.

4 de dezembro de 2024 — os dois tentam marcar uma reunião; Rodrigo escreve “tapete vermelho, irmão”.

Fevereiro de 2025 — mensagens registram novos contatos e tentativa de encontro em Brasília.

15 de setembro de 2026 — as conversas tornam-se públicas após o conteúdo extraído do celular de Vorcaro chegar a ministros do STF.

17 de setembro — o mandado de segurança de Guilherme Kilter chega ao Supremo.

18 de setembro — Alexandre de Moraes é sorteado relator da ação que inclui pedido sobre sua própria esposa.

20 de setembro — ganha repercussão a divulgação de imagens de Moraes e Viviane utilizando aeronave ligada a empresa associada a Vorcaro; o escritório afirma que se tratava de serviço regular de táxi aéreo.

21 de setembro — Moraes declara-se impedido e determina a redistribuição.

22 de setembro — Luiz Fux é sorteado como novo relator, segundo o Valor Econômico.

A partir de agora, caberá a Fux analisar uma ação que busca abrir registros de circulação no Senado de personagens que passaram a ocupar posições centrais em diferentes frentes do caso Banco Master.

E é justamente essa sucessão de datas — das mensagens privadas de 2024 ao sorteio eletrônico de 2026 — que transforma episódios inicialmente separados em uma mesma linha do tempo institucional.

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