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Ficção ELEIÇÕES 2026

O homem acima do presidente

“Quem governa aquele que governa o Brasil?”

22/09/2026 às 12h08
Por: Redação Fonte: Cabra da Peste
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Cabra da Peste
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FICÇÃO | THRILLER POLÍTICO

O homem acima do presidente

Em meio à campanha eleitoral de 2026, documentos, registros de encontros e uma sequência de decisões inexplicáveis alimentam a suspeita mais perturbadora de Brasília: a de que o ocupante do Palácio do Planalto não seria o último elo da cadeia de comando.

BRASÍLIA — Setembro de 2026.

O país discute candidatos, pesquisas, alianças e estratégias para a eleição de outubro.

Mas, longe dos palanques e das transmissões oficiais, outra pergunta começou a circular nos corredores de Brasília.

Uma pergunta que, até poucas semanas atrás, seria considerada absurda:

quem dá ordens ao presidente da República?

Segundo a narrativa que emerge nesta obra de ficção, a resposta não estaria em um partido, em uma instituição, em um grupo empresarial ou em uma aliança informal de poder.

Estaria concentrada em uma única pessoa.

Um homem.

Um chefe.

Sem cargo oficial.

Sem mandato.

Sem aparições públicas regulares.

Sem posição conhecida na estrutura do Estado.

E, ainda assim, com acesso direto ao presidente.

A existência desse personagem jamais foi reconhecida publicamente dentro da história.

Seu nome não aparece em organogramas.

Não disputa eleições.

Não participa de cerimônias.

Não assina decretos.

Não precisa ser fotografado ao lado de ministros.

Seu poder opera de maneira diferente.

Ele não governa o Brasil.

Ele estabeleceria, segundo os personagens que investigam o caso, os limites dentro dos quais o próprio governo pode agir.

O telefonema

A suspeita começou com um padrão.

Decisões importantes demoravam horas para serem anunciadas, mesmo depois de reuniões ministeriais aparentemente concluídas.

Em diferentes ocasiões, assessores percebiam a mesma interrupção.

Um telefone.

Uma ligação curta.

Poucas palavras.

E, depois dela, mudanças.

Um anúncio era adiado.

Um ministro reconsiderava uma decisão.

Uma negociação era retomada.

Um discurso previamente aprovado recebia alterações de última hora.

Durante meses, ninguém tratou os episódios como algo extraordinário.

Na política, telefonemas são rotina.

Até que alguém percebeu que as ligações pareciam anteceder decisões demais.

O poder que não aparece

Presidentes concentram enorme autoridade política, mas não governam isoladamente.

Em qualquer democracia real, existem Congresso, Judiciário, partidos, governos estaduais, burocracias, empresas, sociedade civil, imprensa e inúmeras forças capazes de influenciar decisões.

Nesta ficção, porém, algo diferente acontece.

Existe uma figura que não representa nenhuma dessas instituições.

E justamente por isso se torna mais difícil identificá-la.

Ele não ordenaria diretamente.

Criaria circunstâncias.

Uma notícia surgiria no momento adequado.

Uma investigação ganharia força.

Um aliado recuaria.

Um mercado reagiria.

Uma informação confidencial vazaria.

Uma crise inesperada mudaria completamente a agenda do governo.

Nenhum desses acontecimentos, isoladamente, provaria coisa alguma.

Esse era o mecanismo.

Nada precisava parecer coordenado.

A eleição que esconde outra disputa

Enquanto o Brasil se aproxima das urnas em outubro de 2026, milhões de pessoas acompanham uma das campanhas mais digitalizadas de sua história.

Redes sociais, sistemas de recomendação, vídeos sintéticos, imagens modificadas e ferramentas de inteligência artificial ampliam a velocidade com que versões concorrentes de um mesmo acontecimento chegam ao público.

Na superfície, a disputa continua eleitoral.

Candidatos tentam conquistar votos.

Partidos defendem projetos.

Pesquisas medem preferências.

Instituições acompanham o processo.

Mas o thriller constrói uma segunda disputa por baixo dessa realidade visível.

A luta pelo controle da percepção.

Porque, em um ambiente no qual imagens podem ser fabricadas, vozes podem ser clonadas e conteúdos podem alcançar milhões de pessoas em minutos, controlar a narrativa passa a ser quase tão importante quanto controlar instituições.

E é justamente aí que o sistema começa a apresentar falhas.

A postagem que mudou tudo

A ruptura começou de maneira banal.

Uma conta praticamente desconhecida publicou uma única frase:

“Se o presidente é o chefe de todos, por que ele espera aquela ligação antes de decidir?”

A postagem ficou disponível por poucos minutos.

Depois desapareceu.

Mas capturas de tela começaram a circular.

Primeiro em pequenos grupos.

Depois em canais privados.

Depois em perfis maiores.

Em poucas horas, milhares de pessoas estavam fazendo a mesma pergunta.

Nenhuma delas possuía uma resposta.

Os arquivos

Dias depois, surgiram novos elementos.

Fotografias antigas.

Listas de visitantes.

Registros de viagens.

Agendas parcialmente apagadas.

Empresas conectadas por intermediários.

Encontros que oficialmente jamais ocorreram.

Nada constituía uma prova definitiva.

Alguns arquivos poderiam ser autênticos.

Outros poderiam ser falsificações.

Em um ambiente saturado por inteligência artificial, nem mesmo imagens e documentos eram aceitos automaticamente como evidência.

Isso tornou o caso ainda mais perigoso.

Porque a investigação deixou de ser apenas sobre poder.

Passou a ser sobre a própria possibilidade de distinguir fato de fabricação.

“Quem colocou você acima de mim?”

A cena central da história acontece dentro do Palácio do Planalto.

É noite.

Grande parte da equipe já deixou o prédio.

O presidente está sozinho quando recebe a ligação.

Durante anos, havia atendido aquele número sem questioná-lo.

Dessa vez, faz uma pergunta.

— Quem colocou você acima de mim?

Silêncio.

Do outro lado da linha, nenhuma reação imediata.

Então a voz responde:

— Você ainda não entendeu.

Outro silêncio.

— Eu nunca estive acima de você.

O presidente olha pela janela.

Brasília está quase completamente escura.

A voz termina:

— Eu estou acima do cargo.

A ligação cai.

O verdadeiro centro do poder

A partir desse momento, a investigação muda de direção.

A questão já não é descobrir quem controla determinado governo.

É descobrir se diferentes governos, adversários entre si, teriam operado durante décadas dentro de uma mesma arquitetura invisível.

Presidentes mudariam.

Ministros seriam substituídos.

Partidos alternariam posições.

Ideologias entrariam e sairiam do poder.

Mas determinadas estruturas sobreviveriam.

A hipótese mais inquietante apresentada pelo thriller é justamente essa:

o poder mais resistente não seria aquele que vence eleições.

Seria aquele que consegue permanecer quando todos os vencedores desaparecem.

Setembro

Na cosmologia da história, setembro de 2026 representa o momento de ruptura.

Não porque o Estado desmorona.

Não porque as instituições desaparecem.

E não porque uma revolução começa.

A transformação é mais silenciosa.

O sistema perde aquilo de que mais precisa.

Credibilidade.

Primeiro surge a dúvida.

Depois, a investigação.

Depois, a multiplicação das versões.

E finalmente chega o momento em que nenhuma autoridade consegue restaurar completamente uma narrativa única.

O país continua funcionando.

Os mercados abrem.

Os tribunais julgam.

O Congresso vota.

Os candidatos fazem campanha.

A eleição se aproxima.

Tudo parece normal.

Mas algo mudou.

Milhões de pessoas começaram a olhar para cima.

E, na lógica desta ficção, sistemas de poder conseguem sobreviver durante décadas enquanto todos observam aquilo que acontece diante deles.

O verdadeiro perigo começa quando alguém pergunta o que existe acima.

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