
Economia
Reajuste da Refinaria de Mataripe pode acrescentar até R$ 15 ao botijão de 13 quilos. Diferenças regionais e sucessivas oscilações de preço tornam o impacto ainda mais desigual no estado.
O custo de cozinhar ficou mais alto na Bahia a partir deste domingo (1º).
O gás liquefeito de petróleo (GLP), comercializado pela Refinaria de Mataripe às distribuidoras, sofreu reajuste de 17,5%, movimento que pode elevar entre R$ 12 e R$ 15 o preço do botijão de 13 quilos para o consumidor.
A alteração foi anunciada pela Acelen, responsável pela operação da refinaria, e representa uma nova pressão sobre o orçamento doméstico em um estado onde o gás é um item essencial para milhões de famílias e pequenos estabelecimentos comerciais.
O preço da tonelada de GLP passou de R$ 3.971,60 para R$ 4.664,90, diferença de R$ 693,30. Segundo a empresa, a política de preços considera referências internacionais do petróleo, variações cambiais e custos de transporte marítimo.
A elevação não significa que todos os consumidores pagarão imediatamente 17,5% a mais. O reajuste incide sobre o preço praticado pela refinaria junto às distribuidoras. O valor final depende também dos custos de distribuição, transporte, revenda e das condições comerciais de cada região.
Segundo Robério Souza, presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado da Bahia (Sinrevgas), o aumento estimado para o consumidor pode chegar a R$ 15 por botijão. O dirigente classificou a medida como a maior alta desde que a Acelen assumiu a Refinaria de Mataripe, em 2021.
Antes da mudança, o botijão já apresentava preços bastante diferentes pelo estado. Dados divulgados com base no levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), referentes ao período de 18 a 24 de outubro, apontavam média de R$ 116,38 na Bahia, com valores entre R$ 93,99 e R$ 150 nos pontos pesquisados.
Em Salvador, a média era de R$ 119,90. Em Teixeira de Freitas, R$ 95,99. Já em Ilhéus, chegava a R$ 139,14. São referências anteriores ao novo reajuste, e não preços atualizados após sua aplicação.
O aumento de novembro ocorre depois de uma sequência de mudanças ao longo de 2026. Informações do setor de revenda apontam que este é o sétimo reajuste do ano, em um histórico que inclui altas expressivas em abril e junho e reduções em julho e agosto.
A sucessão de movimentos evidencia a exposição do consumidor às oscilações do mercado de energia. Para as famílias, entretanto, a dinâmica é mais simples e imediata: o botijão precisa ser comprado quando acaba, independentemente do momento mais favorável dos preços.
O impacto também ultrapassa as residências. Restaurantes, lanchonetes, vendedores de alimentos e pequenos empreendedores que dependem do GLP podem enfrentar custos operacionais maiores. A possibilidade de repassar essa despesa aos clientes dependerá da margem de cada negócio e da concorrência local.
A diferença de preços entre municípios e revendedores reforça a importância de pesquisar antes da compra. A ANP disponibiliza levantamentos periódicos dos valores praticados no mercado, permitindo acompanhar a evolução dos preços.
Também é importante verificar o preço total, as condições de entrega e a procedência do produto, evitando escolhas baseadas exclusivamente no menor valor anunciado.
A questão central não está apenas no tamanho do reajuste, mas na frequência com que o custo de um insumo essencial volta a pressionar a renda. Quando o preço do gás sobe, a despesa não é facilmente eliminada do orçamento: ela acompanha uma necessidade básica, a preparação dos alimentos.
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