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Inflamação na gengiva pode estar ligada a doenças respiratórias, mas ciência ainda investiga causas
Pesquisas associam periodontite à DPOC e à apneia do sono; especialistas alertam que os resultados não comprovam que a doença bucal provoque problemas respiratórios.
A saúde da gengiva pode ter uma relação mais ampla com o funcionamento do organismo do que se imaginava. Estudos científicos identificaram associações entre a periodontite, doença inflamatória que compromete os tecidos de sustentação dos dentes, e problemas respiratórios como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a apneia obstrutiva do sono.
Uma revisão científica de 2023, mencionada em conteúdo distribuído pela agência DINO nesta sexta-feira (23), reuniu 75 artigos sobre saúde periodontal e doenças respiratórias. Segundo a publicação, pessoas com periodontite apresentaram chances aproximadamente 28% maiores de DPOC e 65% maiores de apneia do sono. A análise não confirmou associação com a asma.
Os percentuais, porém, não significam que a inflamação gengival cause essas doenças. Grande parte das evidências vem de estudos observacionais, incapazes de estabelecer, isoladamente, uma relação de causa e efeito.
Novas pesquisas reforçam a associação
Uma revisão publicada em abril de 2026 na revista Clinical and Experimental Dental Research analisou sete metanálises envolvendo mais de 225 mil participantes. Os pesquisadores identificaram associação significativa entre apneia obstrutiva do sono e periodontite, mas classificaram como baixa a certeza das evidências principais.
Outro trabalho, publicado em julho de 2026 na mesma revista, examinou 23 estudos e encontrou associação entre apneia e maior ocorrência de doença periodontal. Os autores também ressaltaram que os resultados não permitem determinar qual condição surge primeiro ou influencia a outra.
Como a boca pode afetar a respiração
Uma das hipóteses investigadas envolve a microaspiração, processo pelo qual pequenas quantidades de saliva e microrganismos presentes na boca alcançam as vias respiratórias.
Inflamações persistentes e fatores compartilhados, como tabagismo, também podem contribuir para as associações observadas. No caso da apneia, a respiração pela boca e o ressecamento bucal são possíveis elementos adicionais dessa relação.
A conexão com a DPOC exige cautela especial. Um estudo caso-controle publicado em 2026 não identificou associação independente entre doença periodontal e doenças respiratórias após ajustes para fatores como idade, tabagismo e renda.
Prevenção exige cuidados integrados
Sangramento gengival, mau hálito persistente, retração da gengiva e mobilidade dentária podem indicar problemas periodontais e justificam avaliação odontológica.
Para pacientes com DPOC ou apneia, o acompanhamento da saúde bucal pode integrar uma abordagem multidisciplinar, sem substituir o tratamento respiratório.
A principal conclusão das pesquisas é que existe uma associação relevante a investigar. Ainda faltam estudos capazes de demonstrar se tratar a periodontite reduz efetivamente a ocorrência ou a gravidade dessas doenças respiratórias.
