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Governo de Minas celebra reconhecimento do samba, da cachaça de alambique e da Casa de Dona Beja como patrimônio cultural

Decisões do Conep valorizam tradições afro-brasileiras, saberes de produtores mineiros e a memória histórica de Araxá

22/10/2026 às 16h50
Por: Redação Fonte: Secom Minas Gerais
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Crédito: Filipe Natanael / Secult
Crédito: Filipe Natanael / Secult

Dia histórico para Minas Gerais, que ganhou três novos reconhecimentos para seu patrimônio cultural nesta quinta-feira (22/10). O Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) aprovou, no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, o registro das Expressões do Samba em Minas Gerais e dos Modos de Fazer Cachaça de Alambique como patrimônios imateriais, além do tombamento da Casa de Dona Beja, em Araxá. O Conselho é vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) .

Presidente da reunião, a secretária de Estado Adjunta de Cultura e Turismo, Josiane de Souza, destacou a importância das decisões. “Reconhecemos três patrimônios fundamentais. O registro dos modos de fazer cachaça de alambique permite que saberes não se percam e abre a oportunidade para que vários produtores, inclusive quem não está cadastrado nos meios oficiais, sejam valorizados”, sublinhou.

“O reconhecimento do samba como patrimônio imaterial de Minas Gerais também valoriza uma expressão de resistência e demonstra a força da afro-mineiridade. Já o tombamento da Casa de Dona Beja preserva a memória de uma mulher importante para o início do século 19 e a história de Araxá”, acrescentou Josiane.

Samba: presença histórica e diversidade

Raimundo Nonato da Silva, um dos coordenadores do coletivo de sambistas Mestre Conga, que solicitou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) a elaboração do dossiê para o reconhecimento, celebrou a decisão.

“É um momento histórico. Nossos ancestrais lutaram tanto por essa cultura. Na época da ditadura, quando o samba era proibido, sambistas apanhavam, eram presos, e o samba era visto como coisa de vagabundo e cachaceiro. Hoje, é reconhecido como patrimônio cultural. Isso é uma vitória para os sambistas”, disse.

O registro das Expressões do Samba reconheceu a presença histórica e a diversidade dessa manifestação em Minas Gerais. Atualmente, 246 grupos de samba estão cadastrados no estado.

Foto: Reprodução/Secom Minas Gerais
Foto: Reprodução/Secom Minas Gerais


Cachaça: saberes transmitidos entre gerações

Sara Regina Santana Santos, integrante de uma família que produz a cachaça Guaraciaba há 62 anos, destacou a emoção de representar os produtores de alambique. “Esse reconhecimento do Iepha vai abranger muitas famílias que vivem da cachaça e mostrar o valor da bebida para os mais jovens. Antes, a cachaça era malvista e hoje as pessoas estão valorizando mais”, afirmou.

Minas Gerais lidera a produção nacional de cachaça de alambique, com volume estimado em 13,5 milhões de litros por ano. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) , o estado conta com 630 alambiques registrados.

O reconhecimento valoriza técnicas e conhecimentos tradicionais, amplia a visibilidade dos produtores e fortalece a projeção da cachaça mineira nos mercados nacional e internacional.

Casa de Dona Beja

O tombamento da Casa de Dona Beja, também conhecida como Pensão Tormim, protege um imóvel ligado à trajetória de Anna Jacintha de São José, figura de destaque na história de Araxá. Construída entre as décadas de 1820 e 1830, a edificação reúne características da arquitetura urbana do século 19.

Dona Beja teve influência social, econômica e política em sua época, desafiando padrões morais conservadores e participando de acontecimentos históricos, como a Revolução Liberal de 1842. A proteção do imóvel valoriza a memória urbana de Araxá e o protagonismo feminino na história mineira.

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