
Fotos: Fátima Brandão
Reconhecer os primeiros sinais de sofrimento emocional, romper o silêncio e buscar ajuda antes que o adoecimento psíquico se agrave. Essa foi uma das principais mensagens levadas aos pacientes do Centro Municipal de Prevenção ao Câncer (CMPC) Romilda Maltez, na manhã desta quarta-feira (9), durante a programação doSetembro Amarelopromovida pela Prefeitura de Feira de Santana, por meio da Fundação Hospitalar.
A palestra foi conduzida pela psicóloga do CAPS III,Deise Daiany Santos Simões, que chamou a atenção para a necessidade de as pessoas observarem mudanças no próprio comportamento e na forma como estão lidando com as emoções.
Segundo a profissional, alterações como tristeza persistente, mudanças na rotina do sono, falta de ânimo e outras modificações no comportamento podem representar sinais de alerta e não devem ser ignoradas.
“É o momento de buscar ajuda, fazer atividades físicas e tentar regularizar a própria rotina. Esses são sinais que não podem ser ignorados e precisam ser acompanhados por psicólogo ou psiquiatra no momento em que a pessoa perceba que está adoecendo psiquicamente”, orientou.
Deise destacou ainda que pedir ajuda não significa fraqueza. Para ela, uma palavra de acolhimento pode fazer uma diferença decisiva na vida de uma pessoa que enfrenta sofrimento emocional.
“Porque pedir ajuda é necessário para que o outro perceba o que está acontecendo. Mesmo sendo exposto a julgamentos, é necessário, porque a vida importa e precisamos enfrentar as nossas batalhas e pedir ajuda quando necessário”, afirmou.
A psicóloga também falou sobre a rotina intensa do CAPS III e ressaltou a importância do acolhimento contínuo oferecido pela unidade.
De acordo com Deise, muitos pacientes chegam ao serviço justamente porque já não encontram dentro da própria família a confiança necessária para falar sobre aquilo que estão vivendo. Em alguns casos, essas pessoas já chegam ao serviço no limite de suas forças.
“No CAPS III, eles encontram esse eixo de confiança recíproco”, destacou.
Para a profissional, esse acolhimento pode ser fundamental para que o paciente consiga falar sobre suas dores, compreender o próprio sofrimento e iniciar um processo de cuidado.
A campanha Setembro Amarelo, segundo Deise, tem um papel que vai além de falar sobre prevenção do suicídio. É também uma oportunidade para reduzir estigmas e quebrar tabus relacionados ao adoecimento mental. Ela alertou que o preconceito ainda impede muitas pessoas de procurar ajuda por medo de serem julgadas ou rotuladas.
“Esse preconceito pode levar algumas pessoas a terem pensamentos suicidas por medo de enfrentar o preconceito e serem chamadas de ‘doido’, ‘maluco’, ‘surtou’, ‘perdeu o juízo’. Esses são estigmas que matam e isolam pessoas adoecidas mentalmente. Precisamos ligar o sinal de alerta e chamar atenção para isso”, afirmou.
Ao final da atividade, Deise se colocou à disposição para ouvir quem necessitasse de escuta e distribuiu materiais informativos com orientações sobre os sinais de alerta, a importância de falar e como ajudar alguém que esteja passando por dificuldades. O material trouxe como tema“Setembro Amarelo — Você Importa”, reforçando a mensagem de que falar pode ser o primeiro passo para salvar vidas.
A assistente social do CMPC,Renata Silva Teixeira, explicou que a programação foi organizada com palestras durante todo o dia, com o objetivo de encorajar as pessoas a procurarem ajuda desde o início das inquietações.
Segundo ela, as dificuldades podem começar com uma crise emocional, financeira ou familiar e se agravar quando a pessoa não encontra apoio ou não busca ajuda.
“Cuide-se. A vida é uma só. Precisamos viver o hoje com zelo e respeito à própria vida. Peça ajuda, só isso: peça ajuda”, alertou Renata.
O município de Feira de Santana conta com assistência especializada em psicologia e psiquiatria nas unidades de saúde da Fundação Hospitalar, no CMPC, no Ambulatório de Saúde da Mulher e no Ambulatório de Pediatria do Hospital da Mulher. A rede também conta com serviços de saúde mental organizados por territórios, com atendimento voltado aos moradores dos bairros e distritos.
Entre os serviços estão:
CAPS III Dr. João Lopes Cavalcantes— Alameda, s/n, bairro Olhos D’Água, em frente ao Casarão Olhos D’Água. Telefone:(75) 3612-4555.
CAPS II Dr. Sílvio Luiz— Rua Alcântara, s/n, Loteamento Modelo, bairro Mangabeira. Telefone:(75) 3617-3250.
CAPS II Oscar Marques— Rua Adenil Falcão, 1836, bairro Brasília. Telefone:(75) 3617-3251.
CAPS II Infantojuvenil Osvaldo Brasileiro— Alameda das Pedras, s/n, bairro Olhos D’Água. Telefone:(75) 3617-3249. A unidade atende pessoas de todos os bairros e distritos.
CAPS AD — Álcool e Drogas— Rua Paris, 41, bairro Santa Mônica. Telefone:(75) 3617-3248. O serviço também atende moradores de todos os bairros e distritos.
A programação do Setembro Amarelo no CMPC reforça a importância de ampliar o diálogo sobre saúde mental, aproximar a população dos serviços especializados e estimular a busca por ajuda desde os primeiros sinais de sofrimento.
A Prefeitura de Feira de Santana, por meio da Fundação Hospitalar, segue promovendo ações e atividades voltadas à melhoria da assistência e à promoção da saúde física e mental da população feirense.
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