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Política ELEIÇÕES 2026

Bolha estourando ou falta de oxigênio?

Cenas dos próximos capítulos.

03/09/2026 às 12h54
Por: Redação Fonte: Palmiro Pimenta via Cabra da Peste
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Bolha estourando ou falta de oxigênio?

A BOLHA ESTÁ FURANDO — OU SÓ ESTAMOS COM FALTA DE OXIGÊNIO?

A eleição presidencial de 2026 acaba de ganhar um ingrediente curioso: Augusto Cury.

Sim, o escritor. O psiquiatra. O homem que passou décadas ensinando brasileiros a controlar a ansiedade — e agora resolveu descobrir se é possível fazer isso diante de uma urna eletrônica.

E aparentemente alguma coisa aconteceu.

Depois de aparecer no debate presidencial, Cury viu seus números nas redes dispararem. No Instagram, saiu de aproximadamente 8,3 milhões para 9,9 milhões de seguidores e depois ultrapassou os 10 milhões.

As buscas pelo seu nome também cresceram cerca de 900%.

Ou seja: por alguns dias, o algoritmo resolveu fazer aquilo que a política brasileira raramente consegue fazer espontaneamente: prestar atenção em alguém que não está gritando com o adversário.

O presidente nacional do Avante, Luis Tibé, resumiu o fenômeno dizendo que Cury conseguiu “furar a bolha da polarização”.

Bonito.

Mas vamos com calma.

Porque o Brasil já descobriu que existe uma diferença monumental entre viralizar no celular e votar na urna.

Seguidor não é eleitor.

Curtida não é voto.

Pesquisa no Google não é transferência bancária de votos para o TSE.

E, infelizmente para os especialistas de internet, compartilhar um vídeo de 40 segundos não significa que alguém acordará no domingo da eleição pensando:

“Hoje eu vou mudar o destino da República.”

A aposta de Cury é justamente no eleitor que está cansado do eterno espetáculo de “meu lado contra o seu lado”.

Um país inteiro dividido em duas torcidas, cada uma convencida de que a outra é responsável por absolutamente todos os problemas nacionais — da inflação ao mau humor do grupo da família no WhatsApp.

Nesse cenário, aparece Cury falando em pacificação.

Uma ideia quase revolucionária.

Não porque seja nova.

Mas porque, aparentemente, pedir que adultos parem de tratar adversários políticos como inimigos passou a ser uma proposta eleitoral inovadora.

Sua frase-síntese é ainda melhor:

“Toda bolha uma hora estoura.”

E talvez seja exatamente aí que esteja a verdadeira ameaça à velha política.

Porque a polarização funciona muito bem quando existem apenas duas opções emocionais:

“Ou você está comigo, ou está contra mim.”

O problema começa quando aparece alguém dizendo:

“E se eu não quiser nenhum dos dois?”

É aí que a conta começa a ficar interessante.

Cury tem uma vantagem enorme: já possui algo que candidatos tradicionais gastam milhões tentando comprar.

Atenção.

Décadas de livros, palestras e exposição pública construíram uma marca pessoal gigantesca.

Mas existe uma pequena questão inconveniente:

ele precisa transformar admiradores em eleitores.

E essa conversão costuma ser bem mais difícil.

Porque o brasileiro pode seguir Augusto Cury, admirar Augusto Cury, compartilhar Augusto Cury, concordar com Augusto Cury…

…e ainda assim votar no candidato de sempre.

A urna, ao contrário do Instagram, não possui botão de “seguir”.

Possui um botão de confirmação.

E é justamente ali que começa o problema.

Se o crescimento digital aparecer nas próximas pesquisas de intenção de voto, aí a conversa muda de nível.

Cury deixa de ser apenas o candidato simpático que apareceu no radar e passa a representar uma variável real na equação presidencial.

E talvez seja isso que esteja incomodando tanta gente.

Não necessariamente a candidatura.

Mas a possibilidade de existir um eleitorado cansado de ser obrigado a escolher entre duas trincheiras.

A política brasileira passou anos construindo muros.

Agora apareceu alguém perguntando se não seria mais inteligente simplesmente parar de construir muros.

Que ideia perigosa.

Porque, no Brasil, quando alguém ameaça desmontar uma polarização lucrativa, sempre aparece alguém correndo para explicar por que isso é impossível.

Talvez seja.

Talvez não.

Mas uma coisa já aconteceu:

a bolha foi furada.

Agora falta descobrir se ela vai apenas fazer um pequeno “pop” nas redes sociais…

…ou se finalmente vai estourar na urna.

E aí, meus amigos, até o algoritmo vai precisar fazer terapia.

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