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Hospital Regional Norte fortalece cuidados paliativos com assistência integral a pacientes e famílias

Há histórias que permanecem mesmo quando as palavras deixam de existir. Internada naUnidade de Cuidados Especiais (UCE) do Hospital Regional Norte ...

13/10/2026 às 16h39
Por: Redação Fonte: Secom Ceará
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Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

Há histórias que permanecem mesmo quando as palavras deixam de existir. Internada naUnidade de Cuidados Especiais (UCE) do Hospital Regional Norte (HRN), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) em Sobral, Ana Bezerra Menezes Farias, de 91 anos, já não consegue conversar como antes. A mobilidade é limitada e o Alzheimer, somado às consequências de dois acidentes vasculares cerebrais (AVCs), mudou a maneira como ela se comunica com o mundo. Mas há algo que ainda atravessa o silêncio: a voz dos filhos.

Próximo ao leito, uma folha guarda uma história em forma de música. A letra foi escrita pelos oito filhos de Dona Ana para celebrar o aniversário da mãe. Hoje, o texto permanece afixado no quarto como uma espécie de retrato afetivo de uma vida inteira dedicada à família. Quando a filha Francisca Lindete Bezerra Farias, de 59 anos, se aproxima e começa a cantar, dona Ana reage. São pequenos movimentos, expressões e sinais que, para quem convive com ela, dizem muito.

“Mamãe é uma mulher muito guerreira. Nós nunca tivemos riquezas materiais, mas tivemos uma riqueza de mãe e de pai, que é a nossa base até hoje”, conta Francisca Lindete, professora da rede municipal de Guaraciaba do Norte.

De segunda a segunda, os filhos da paciente se revezam no hospital. Há um calendário organizado para garantir que a mãe nunca esteja sozinha. “Até a última hora, ela vai ser honrada. A gente cumpre os propósitos de Deus até o dia que ele quiser”, afirma a filha.

Cuidar do paciente por inteiro

É nesse contexto de cuidado contínuo que a UCE do HRN atua. Com 16 leitos, a unidade é destinada a pacientes que necessitam de assistência constante e funciona como uma unidade hospitalar de transição. O cuidado é construído por uma equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, farmacêuticos, entre outros profissionais.

A unidade recebe, principalmente, pacientes idosos, pessoas com doenças crônicas, que passaram por longos períodos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou tiveram internações frequentes nas emergências, além de pacientes debilitados e, muitas vezes, acamados.

Mas a proposta vai além de tratar uma doença específica. Na UCE, o cuidado é planejado para considerar também aspectos emocionais, sociais, funcionais e familiares, buscando reduzir os impactos provocados pela hospitalização e preparar o paciente e aqueles que estarão ao seu lado para os próximos passos da jornada.

“Nós temos uma equipe multiprofissional completa e iniciamos esse trabalho desde a admissão do paciente, por meio do plano terapêutico e da construção dos planejamentos antecipados de cuidados. Esse planejamento acompanha toda a jornada do paciente, inclusive integrando o cuidado dentro da rede de saúde da região”, explica a coordenadora de Enfermagem da UCE, Thalianne Veras Brito.

Somente no primeiro semestre de 2026, 287 pacientes foram admitidos na unidade. As transferências ocorrem internamente ou por meio da Central de Regulação Estadual.

O planejamento antecipado de cuidados é uma das ferramentas utilizadas pela equipe para compreender os desejos, valores e necessidades do paciente, especialmente em situações nas quais ele pode perder a capacidade de expressar suas próprias vontades. Para dona Ana, a presença da família permanece como parte essencial desse cuidado. Mesmo sem conseguir conversar, ela escuta quando os filhos falam com ela. É uma comunicação diferente daquela de outros tempos, mas que a família aprendeu a reconhecer.

“O que seria de nós se não tivessem pessoas que, pela profissão, são missionárias e dedicam a sua vida a cuidar de quem precisa?”, ressalta Francisca, ao falar sobre os profissionais que acompanham a mãe no HRN.

Na UCE, o cuidado paliativo não é entendido como sinônimo de fim de vida. Ele pode estar presente junto ao tratamento de doenças graves e em diferentes momentos da trajetória do paciente, com o objetivo de proporcionar qualidade de vida, aliviar sintomas e sofrimentos e apoiar também aqueles que acompanham o adoecimento.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

O cuidado psicológico faz parte da assistência integral na UCE

Nesse processo, a família ocupa um lugar importante. Para a psicóloga da unidade, Thallynne Rosendo, acolher o sofrimento dos familiares é parte fundamental da assistência. Ela explica ainda que um dos desafios dos cuidados paliativos é romper com a ideia de que receber esse tipo de assistência significa que “não há mais nada a fazer”. Para ela, a comunicação é uma das principais ferramentas terapêuticas.

“Quando se fala em cuidado paliativo apenas pelo que não será mais feito, perde-se a dimensão do que ainda pode ser cuidado. Há o controle da dor, o acolhimento do sofrimento psíquico, social e espiritual e, principalmente, a comunicação”, pontua.

Fortalecer cuidados paliativos no SUS

O trabalho desenvolvido na UCE também está inserido em um movimento de qualificação dos cuidados paliativos na rede pública de saúde. Desde março deste ano, o HRN participa do Projeto Nacional de Fortalecimento dos Cuidados Paliativos no SUS, iniciativa do Ministério da Saúde executada pelo Hospital Sírio-Libanês por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), em parceria com a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

HRN participa de iniciativa para fortalecer os cuidados paliativos no SUS 

Sobral é a segunda macrorregião de Saúde do Ceará a receber a capacitação do projeto, que busca qualificar as práticas assistenciais, ampliar a oferta de cuidados paliativos e promover mais qualidade de vida e alívio do sofrimento para pessoas com doenças graves, além de oferecer suporte às famílias.

O HRN participa da iniciativa junto a outros equipamentos da Região Norte, como a Santa Casa de Misericórdia de Sobral e o Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD), por meio do programa Melhor em Casa, entre outros serviços da rede. O projeto tem duração de dois anos e passou por uma fase diagnóstica antes de avançar para a implantação e o monitoramento das ações.

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