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Série Nordeste Bahia-Brasil

A BAHIA NÃO É AMALDIÇOADA.

O BOLSO CONTA UMA HISTÓRIA QUE O PALANQUE NÃO OUVE.

13/10/2026 às 11h05 Atualizada em 13/10/2026 às 11h54
Por: Redação Fonte: Cabra da Peste
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POLÍTICA E SEGURANÇA

A BAHIA NÃO É AMALDIÇOADA. MAS, SE O CRIME TOMAR A POLÍTICA, ATÉ A LIBERDADE VAI PRECISAR DE AUTORIZAÇÃO

O PT acumula seis vitórias consecutivas, as facções disputam territórios e o crime organizado já desperta alerta eleitoral no país. Enquanto os políticos disputam cadeiras, existe um perigo bem maior: o cidadão perder até o direito de escolher quem senta nelas.

Puxe a cadeira, meu patrão, mas olhe primeiro se a calçada ainda é pública.

Porque, do jeito que a coisa anda, daqui a pouco até para conversar na porta de casa o cidadão vai precisar consultar quem manda no pedaço.

Tem gente que olha para a Bahia, vê o PT vencendo eleição atrás de eleição e começa a falar em maldição.

Maldição coisa nenhuma!
O problema é mais terreno. Tem poder político que cria raiz, serviço público que demora a chegar e organização criminosa que, onde encontra o Estado ausente, começa a oferecer suas próprias regras.

E facção, meu amigo, não instala escritório para distribuir liberdade.

O CRIME DESCOBRIU QUE UMA CANETA PODE VALER MAIS QUE UM FUZIL

Antigamente, muita gente imaginava o criminoso escondido no mato, fugindo da polícia.

Hoje, a preocupação vai além da arma.

O crime organizado também movimenta dinheiro, procura influência, tenta corromper instituições e pode buscar espaço nas eleições.

O Ministério Público Eleitoral chegou a orientar os partidos, em 2026, a adotarem medidas para prevenir a infiltração de facções.

Veja que maravilha da evolução institucional: já não basta conferir se o candidato conhece os problemas do município. É preciso tomar cuidado para que não esteja comprometido com quem ajuda a produzi-los.

E atenção: suspeita não é condenação. Mas fingir que o risco não existe é querer apagar incêndio abanando o boletim de ocorrência.

QUANDO O BANDIDO MANDA NA RUA, A DEMOCRACIA COMEÇA A SAIR PELOS FUNDOS

O perigo começa quando o morador deixa de decidir livremente.

O comerciante teme abrir a boca. A família evita determinados caminhos. O trabalhador aprende que há regras não escritas para circular no próprio bairro.

Se esse poder armado alcançar a disputa eleitoral, a ameaça fica ainda mais grave.

Imagine o cidadão podendo escolher o governador na urna, mas precisando da permissão do criminoso para colocar um cartaz na janela.

“É democracia com fachada de loja aberta e porta dos fundos trancada.”

E quem acha que isso é apenas um problema policial ainda não percebeu: controlar território também pode significar controlar oportunidades, serviços e escolhas.

SEIS VITÓRIAS DO PT. E QUEM ESTÁ COBRANDO A CONTA?

Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues garantiram seis vitórias consecutivas do PT na Bahia.

O resultado das urnas é legítimo. Mas permanência no poder não é certificado automático de boa administração.

A população continua com o direito de cobrar segurança, atendimento médico, educação e resultados.

O governo baiano anuncia operações e prisões de lideranças criminosas. São ações relevantes. Só que prender chefes de facções não encerra, sozinho, o problema de suas estruturas financeiras e territoriais.

A pergunta é simples: a população está recuperando a liberdade de viver sem medo?

Porque coletiva de imprensa dura uma tarde. A insegurança pode acompanhar a família até dentro de casa.

PREFEITURA NÃO É HERANÇA. E CIDADE NÃO PODE VIRAR FRANQUIA DE FACÇÃO.

Nos 417 municípios baianos, a política local tem enorme importância.

Prefeitos articulam apoios, governos distribuem investimentos e lideranças disputam influência.

Isso faz parte da política.

O que não pode fazer parte é dinheiro público virar moeda de submissão, contrato alimentar esquema criminoso ou mandato funcionar como escudo para interesses ilegais.

Nenhuma dessas práticas pode ser atribuída a uma pessoa ou partido sem prova. Mas todas precisam estar no radar da fiscalização.

Porque o crime organizado não precisa necessariamente aparecer na fotografia oficial para tentar lucrar com as decisões tomadas por quem aparece.

A OPOSIÇÃO NÃO PODE SER TURISTA DE ELEIÇÃO

E a oposição também precisa deixar de achar que indignação substitui projeto.

Não basta mostrar estatística de violência, chamar o eleitor de ignorante e desaparecer até a próxima campanha.

É preciso fiscalizar contratos, acompanhar recursos públicos, cobrar investigações e apresentar alternativas concretas.

O eleitor do interior não é propriedade de prefeito, governador ou candidato.

“E muito menos de bandido.”

Se os partidos não enfrentarem o risco de infiltração criminosa em suas próprias estruturas, a democracia corre o perigo de virar uma disputa entre discursos oficiais e interesses escondidos.

Uma bela eleição, com propaganda, santinho e tudo.
Só faltando a liberdade.

HOJE ELES DISPUTAM TERRITÓRIO. AMANHÃ PODEM QUERER DECIDIR ATÉ QUEM VOTA.

A Bahia não precisa ser dividida do Brasil nem insultada por suas escolhas eleitorais.

Precisa de instituições fortes, investigação séria, fiscalização sem padrinho e políticas públicas que devolvam segurança e autonomia à população.

O problema não se resolve trocando preconceito regional por propaganda partidária.

Resolve-se impedindo que o medo se torne autoridade e que o dinheiro criminoso encontre passagem para as instituições.

Porque existe uma diferença enorme entre governar uma população e dominá-la.

“O político recebe poder pelo voto. O criminoso tenta arrancá-lo pelo medo.”

E se os dois poderes algum dia se confundirem, meu patrão, não será apenas a eleição que estará em perigo.

Será a liberdade de escolher, de trabalhar, de falar e até de puxar uma cadeira na própria calçada.

CABRA DA PESTE — Aqui a notícia senta na calçada. Mas a verdade não pede licença a ninguém.

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