
Bandeirolas coloridas, comidas típicas, apresentações culturais, forró e manifestações populares ajudam a compor o cenário da Vila do Forró, espaço promovido pelo Governo do Estado na Orla da Atalaia. Aberta ao público até o dia 26 de julho, a estrutura se consolidou como um dos principais pontos de encontro dos festejos juninos em Sergipe, reunindo elementos que fazem parte da identidade cultural do estado e despertam o sentimento de pertencimento ao 'País do Forró'.
A Vila do Forró oferece uma vivência que envolve diferentes percepções. O som das sanfonas, zabumbas e triângulos se espalha pelos corredores e se mistura às apresentações artísticas e ao fluxo constante de pessoas que circulam entre os ambientes culturais. A cada trecho percorrido, o público encontra música, dança e expressões populares que ajudam a construir o clima característico do São João sergipano.
Os sentidos também são despertados pela gastronomia típica. O aroma de milho, amendoim, bolos e doces tradicionais se espalha pelo espaço, resgatando lembranças e reforçando a ligação afetiva com receitas que fazem parte da cultura nordestina. Já no aspecto visual, elementos como bandeirolas, cenários temáticos, estruturas cenográficas e espaços interativos transformam a Orla da Atalaia em um ambiente totalmente imerso nas tradições juninas.
Dentro da programação cultural, a Galeria ArteNordeste abriga a exposição coletiva 'Expressões Juninas de Sergipe', que reúne obras de artistas locais inspiradas no imaginário do período junino. A mostra apresenta diferentes linguagens visuais que retratam quadrilhas, folguedos, musicalidade, religiosidade e outras manifestações que compõem a identidade cultural sergipana, aproximando o público das múltiplas formas de expressão da cultura popular.
Outro destaque é o Corredor Cultural, que conecta os espaços da Vila e a arena de shows do Arraiá do Povo, e se tornou parte importante da experiência dos visitantes. O ambiente é marcado por elementos visuais que remetem às tradições nordestinas e transforma o deslocamento do público em um percurso de descoberta da cultura local. Painéis produzidos com tecidos tradicionais, referências à culinária regional e estruturas cenográficas ajudam a contar, de forma visual, aspectos da história e da identidade sergipana, convidando o público a observar, registrar e interagir com o espaço.
No Coreto da Vila, a programação musical também reforça essa atmosfera. A cantora Anny, vocalista da banda Kat’Leia, que se apresentou no espaço em plena noite de São João, destaca a satisfação de levar a cultura sergipana para o público que circula pelo evento. Natural de Itaporanga d’Ajuda, ela ressalta o orgulho de representar o estado por meio da música. “Tenho orgulho de fazer parte desse estado e de estar representando também o meu município. É uma satisfação imensa estar aqui”, afirma.
Para a artista, elementos como a cultura, a culinária e o acolhimento do povo sergipano ajudam a explicar a conexão do público com o período junino. “A cultura, a culinária, a representatividade e o acolhimento que nós sergipanos temos fazem a diferença. Quem vem para Sergipe não quer sair, porque encontra uma cultura muito forte e uma recepção muito boa”, destaca.
No Teatro da Vila, outra dimensão da cultura popular ganha destaque. Integrando a programação do Ciclo Junino pelo segundo ano consecutivo, o espaço recebe apresentações gratuitas de teatro, circo, contação de histórias e espetáculos inspirados no universo junino, oferecendo atrações voltadas para diferentes faixas etárias. Um desses espetáculos foi 'Barco de Fogo: Navegando pela História, um Cortejo pela Memória', apresentado pela Cia Cataluz. Inspirada no tradicional Barco de Fogo de Estância, a montagem utiliza a linguagem teatral para narrar histórias, personagens e símbolos que fazem parte dos festejos juninos do estado.
Integrante da companhia, Franklin Ferreira explica que o espetáculo surgiu a partir de uma pesquisa sobre a manifestação cultural e busca estimular o interesse do público pela própria história. “No trabalho de pesquisa, a gente percebe que muitos sergipanos ainda não conhecem essas manifestações. Quem vem de fora se encanta, mas muitas vezes o próprio morador não conhece toda essa riqueza cultural. O principal objetivo é estimular esse conhecimento sobre a nossa identidade e sobre a conexão com os festejos juninos”, afirma.
Amor pelo 'País do Forró'
Com a junção de sons, sabores e elementos visuais que fazem parte do imaginário junino, a Vila do Forró cria um ambiente que vai além da programação cultural. A experiência se mistura às memórias, às vivências e ao sentimento de pertencimento de quem reconhece nessas referências uma parte da própria história. Nesse percurso, o público circula entre os espaços e compartilha diferentes percepções sobre o significado dos festejos juninos em Sergipe.
A analista de sistemas Emanuelle Rocha relata que o mês de junho traz consigo um sentimento já conhecido. “Chega essa época do ano, o coração da gente começa a bater mais forte, não tem como. O cheiro da fogueira, do milho e de todos os outros elementos constroem a nossa cultura. Quando vejo que está tudo decorado e que posso aproveitar esses momentos com minha família, fico muito realizada”, afirma.
Na avaliação dela, a Vila do Forró reforça a sensação de pertencimento e convivência familiar, reunindo diferentes gerações no mesmo espaço. “O local traz realmente esse sentimento de família. Então é um sentimento de pertencer e estar sendo valorizado”, completa.
Esse vínculo com as tradições também aparece na fala da advogada Nathalie de Ângelis Rodrigues, que destaca o acolhimento e a força das manifestações culturais como marcas do povo sergipano. Ela reforça ainda que a permanência dos costumes é o que mantém o São João vivo ao longo das gerações. “A gente não deixa a cultura se perder. Aqui tem as bandeirolas, a fogueira, os fogos, a culinária típica. Tudo aquilo que nossos pais e avós viviam continua presente. O milho, a pamonha, a canjica, tudo isso faz o São João continuar sendo um dos pontos mais fortes do nordestino e do sergipano”, ressalta.
O motorista Antônio Bittencourt também associa essa força cultural à vivência desde a infância. “Nós temos muita quadrilha junina, muita festa popular e o sergipano ama o forró. Desde pequeno a gente já nasce nesse costume. É algo passado de geração para geração”, afirma.
Maior São João à beira-mar do país
O Arraiá do Povo e a Vila do Forró são uma realização do Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), BaneseCard e Ministério da Cultura, por intermédio da Lei Rouanet, com patrocínio da Eneva, Maratá, Celi, Rede Primavera, Iguá Sergipe, Deso, Pisolar, GBarbosa e Banco do Nordeste, com apoio da Energisa, Netiz, Sergas, Telequipe e Shopping Jardins.












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