
O Paraná fornece, por meio dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), assistência 24 horas e orientação estratégica para casos de intoxicações causadas por medicamentos, agentes químicos e animais peçonhentos da fauna estadual. Nos hospitais vinculados às universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e do Oeste (Unioeste), os Ciatox ofertam campo de formação prática para estudantes de graduação e pós-graduação da área da saúde.
O serviço especializado atende os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) e o público em geral, além de fiscalizar as ocorrências a partir das notificações. O papel acadêmico dos centros é um dos pilares de sua atuação, com produção de conhecimento científico e publicações em periódicos internacionais que auxiliam na modernização dos protocolos do SUS. As atividades práticas também fazem parte de programas de residência, como a Multiprofissional em Urgência e Emergência e a de Enfermagem.
Um dos artigos científicos publicados recentemente é da UEL, que concluiu que a administração tardia de antídoto em picadas de serpentes comuns no Paraná aumentam o risco de complicações renais. O estudo é da aluna Rafaele Maria Tirolla, do programa de pós-graduação em Ciências Farmacêuticas e Saúde Coletiva, juntamente com os professores Edmarlon Girotto, Camilo Molino Guidoni e Alberto Duran Gonzalez.
O professor do departamento de ciências farmacêuticas e coordenador do Ciatox de Londrina, Camilo Molino Guidoni, afirma que o Paraná é referência nacional em assistência e vigilância quanto a casos de toxicologia. “No ano passado, com as intoxicações por metanol, monitoramos quais eram os casos suspeitos, confirmados, quais as circunstâncias e onde estavam. Tudo isso faz parte do diferencial que o Paraná tem”. Em 2025, os Ciatox paranaenses anteciparam um fluxo de atendimentos de forma especial, que permitiu que os casos fossem atendidos com maior eficácia e rapidez.
Pesquisa da UEPG descobre nova espécie de molusco em fóssil em Ponta Grossa
AÇÕES DE CONSCIENTIZAÇÃO– No âmbito da extensão, o impacto dos centros atinge diretamente a comunidade escolar e a população em geral. O departamento de Ciências Farmacêuticas da UEL promove ações de conscientização em escolas de ensino fundamental e médio para ensinar a identificação de riscos e medidas de proteção para substâncias tóxicas. Em Maringá, o projeto de extensão do Centro de Controle de Intoxicações da UEM realiza ações públicas de orientação e prevenção contra acidentes com animais peçonhentos.
Durante períodos quentes, as ocorrências envolvendo animais peçonhentos têm a tendência de aumentar consideravelmente, pois os animais circulam mais, saindo dos habitats para alimentação e acasalamento. Além disso, com o avanço da urbanização e o aumento do uso de defensivos agrícolas essas situações se tornam cada vez mais propensas. Os animais que aparecem com frequência nos registros de acidentes são os escorpiões-amarelos, as aranhas-armadeiras e aranhas-marrons, as jararacas e as abelhas, embora muitos casos de ataques por abelhas sejam subnotificados.
Apesar de acidentes com animais peçonhentos comporem a maior parte dos atendimentos feitos pelo Ciatox, existe uma lista extensa de componentes que podem intoxicar o corpo humano. Dentre as situações registradas estão: administração de medicamentos sem supervisão médica; contaminação por plantas, fungos e metais; exposição indevida a produtos químicos, industriais, sanitários, venenos e defensivos agrícolas.
PREVENÇÃO E MANEJO AMBIENTAL– As diretrizes técnicas recomendam a vedação de frestas, ralos, caixas de gordura e o controle rigoroso da população de baratas, que servem de alimento para os aracnídeos. O uso de defensivos químicos ou venenos não é recomendado, pois dispersa os animais sem garantir letalidade, elevando o risco de acidentes.
Em caso de acidentes, a orientação é lavar o local com água e sabão, fotografar o animal para facilitar a identificação da espécie, ou leva-lo consigo, se possível, e buscar imediatamente o serviço de saúde mais próximo. Em caso de exposição ou ingestão indevida de produtos tóxicos, é aconselhado buscar atendimento imediato, sem esperar o surgimento de sintomas graves em casa.
Segundo a enfermeira e coordenadora do Ciatox de Maringá, Márcia Regina Jupi Guedes, a população também pode solicitar atendimento via whatsApp. “Além de atendermos, em Maringá e os municípios da 15ª Regional da Saúde, também orientamos a população que nos envia fotos de animais peçonhentos ou de lesões e picadas, de plantas e rótulos de produtos, a qualquer horário”, diz.
Serviço
Londrina:
Telefone: (43) 3371-2244
Endereço: Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina (HU UEL) - Avenida Robert Koch, 60 - Operária
Maringá:
Telefone: (44) 3011-9431
Endereço: Hospital Universitário de Maringá (HUM) - Avenida Mandacarú, 1590, Parque das Laranjeiras
Cascavel:
Telefone: (45) 3321-5261 e (45) 3321-5284
Endereço: Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) - Avenida Tancredo Neves, 3224, Santo Onofre
Mín. 24° Máx. 25°