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Produção alagoana movimenta mais de R$ 664 mil no 22º Salão do Artesanato de SP

Resultado histórico consolida Alagoas como referência nacional do setor e amplia oportunidades para artesãos, grupos produtivos e empreendedores cr...

27/05/2026 às 15h00
Por: Redação Fonte: Secom Alagoas
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Resultado alcançado em São Paulo representa mais segurança financeira para os artesãos - Ascom Serfi
Resultado alcançado em São Paulo representa mais segurança financeira para os artesãos - Ascom Serfi
Julyan Bomfim / Ascom Serfi

O artesanato alagoano encerrou sua participação no 22º Salão do Artesanato de São Paulo com um resultado expressivo: R$ 664.144,74 mil em comercialização durante 5 dias de feira. O desempenho revela o crescimento do setor artesanal como ferramenta de geração de renda, valorização cultural e desenvolvimento da economia criativa.

A participação aconteceu por meio do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB) e do Sebrae Alagoas, em Parceria com o Programa Alagoas Feita à mão (Afam), gerido pela Secretaria de Estado de Relações Federativas e Internacionais (Serfi). Os artesãos, selecionados por meio do edital anual do PAB de 2026, representam diversas localidades do estado, levando para São Paulo produções que refletem a pluralidade cultural, os saberes tradicionais e a identidade artesanal de Alagoas.

Além das vendas realizadas durante o evento, a feira também gerou novas encomendas, ampliou redes de contato e impulsionou pequenos negócios criativos em diferentes regiões alagoanas.

Comercialização que continua depois do encerramento

Para muitos artesãos, os resultados da feira seguem movimentando renda, mesmo após o encerramento do evento. As encomendas feitas em São Paulo garantem produção durante meses e ampliam a visibilidade das marcas artesanais alagoanas.

Foi essa experiência que marcou a estreia da jovem artesã Júlia Dias em uma feira nacional. Integrante do grupo produtivo Fulô.A, ela aprendeu a bordar ainda aos 9 anos de idade com Ana Cristina, idealizadora do grupo. Em São Paulo, viu pela primeira vez o trabalho do grupo alcançar novos públicos e reconhecimento nacional.

“Foi uma vivência única podendo ver o nosso artesanato sendo valorizado. Através de Ana Cristina, minha mestra, eu aprendi quando ainda tinha 9 anos de idade. O resultado da feira foi mais do que esperado, não só pelas vendas, mas também pelas encomendas que surgem durante o ano”, pontuou Júlia.

Do bordado tradicional ao mercado internacional

O crescimento do grupo Fulô.A reflete o avanço do artesanato alagoano enquanto atividade empreendedora e coletiva. Hoje, o grupo reúne cerca de 38 bordadeiras com idades entre 18 e 50 anos e já exporta peças para os Estados Unidos.

Idealizadora do grupo, a artesã Ana Cristina expõe que o principal desafio atualmente já não é vender, mas ampliar a produção para atender à demanda gerada pelas feiras nacionais e encomendas posteriores. “A feira não se resume só na venda do produto durante o evento. Quando termina, a gente passa praticamente o ano inteiro trabalhando nas encomendas que surgem depois dela. Hoje, o nosso maior desafio é aumentar a mão de obra para atender à demanda”, colocou.

Ela destaca que o apoio institucional foi decisivo para ampliar a visibilidade do coletivo e consolidar novos mercados para as peças produzidas em Penedo. “Graças ao apoio do programa Alagoas Feita à Mão, o grupo cresceu bastante em vendas, divulgação e reconhecimento. Hoje exportamos colares para os Estados Unidos, e isso mostra o quanto o artesanato alagoano pode alcançar novos espaços”, destacou a artesã.

Empreendedorismo feminino transforma rotina e gera autonomia

Em Belo Monte, no Sertão alagoano, a artesã Aline Caju encontrou no artesanato um caminho para transformar criatividade em autonomia financeira. Trabalhando com peças em madeira, ela destaca que participar do 22º Salão do Artesanato representou reconhecimento nacional para seu trabalho.

Mãe atípica, Aline enfatizou que o artesanato também permitiu conciliar geração de renda e presença ativa na rotina familiar. “Foi uma emoção muito grande ver minhas peças expostas e valorizadas em um evento de alcance nacional. Todo o esforço e dedicação colocados em cada trabalho valeram a pena. O artesanato me permite acompanhar de perto o desenvolvimento do meu filho e participar da rotina dele. Além disso, tenho a felicidade de transformar madeira em arte”, ponderou Aline.

Produção coletiva impulsiona novos negócios

A trajetória da artesã Ariane Pita demonstra a expansão de modelos coletivos de empreendedorismo dentro do artesanato alagoano. Responsável pela marca Beliê em Família, ela destaca que participar de grandes feiras nacionais ainda representa um desafio financeiro para pequenos produtores.

Segundo Ariane, os custos de logística, transporte e estrutura tornam o apoio institucional essencial para garantir a presença dos artesãos em eventos de alcance nacional. “Participar das feiras nacionais só é possível com apoio, porque os custos são muito altos. Transporte, logística e estrutura exigem investimento. O programa faz diferença porque entende as necessidades reais do artesão”.

Criado inicialmente como um negócio familiar, o projeto evoluiu para um grupo produtivo formalizado em 2025. Atualmente, sete famílias participam diretamente da produção artesanal. “O intuito agora é crescer mais e absorver outras mulheres que participaram das oficinas para dentro do grupo produtivo”, finalizou.

Comercialização supera expectativas e amplia encomendas

O impacto positivo da feira também foi percebido pelo artesão Eliésio Agostinho, conhecido pela marca Nego Xôboi. Participando do evento através do estande do Sebrae, ele afirma que a experiência superou as expectativas, tanto em vendas quanto em geração de novos contatos comerciais. “Vendeu bem, como eu esperava. Tenho bastante encomenda e só tenho a agradecer ao Sebrae e ao Alagoas Feita à Mão. A feira foi mais do que eu imaginava”, explicou Eliésio.

A dinâmica observada no Salão do Artesanato torna claro o papel estratégico das feiras nacionais para a economia criativa. Além da comercialização imediata, esses eventos ampliam oportunidades de negócios, consolidam marcas e movimentam a produção artesanal durante todo o ano.

Resultado consolida crescimento do artesanato alagoano

A secretária de Estado de Relações Federativas e Internacionais, Jacqueline Rêgo, destacou que a participação dos artesãos alagoanos na 22ª edição do Salão do Artesanato de São Paulo representa um marco para o setor, especialmente pelos resultados alcançados em comercialização, que somaram quase R$ 700 mil.

“O Governo de Alagoas segue impulsionando os artesãos assistidos pelo programa para que continuem sendo visibilizados pelo mercado, tanto em âmbito nacional quanto internacional”, destacou.

“Existe toda uma rede produtiva envolvida, com muita mão de obra que depende desse incentivo ofertado pelo Estado, e estamos muito felizes com o resultado alcançado”, completou.

Para a secretária executiva de Novos Negócios da Serfi e artesã Júlia Caroá, o crescimento nas vendas demonstra a consolidação do artesanato alagoano no cenário nacional e os impactos concretos das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor.

Segundo ela, o resultado alcançado em São Paulo representa mais segurança financeira para os artesãos e estruturação das cadeias produtivas locais. “O resultado já era esperado de forma extremamente positiva. Tivemos cerca de R$ 100 mil a mais em vendas, em comparação ao ano passado. Isso garante sustento para os artesãos e aumenta a confiança deles no artesanato alagoano”.

Ela destaca ainda que os impactos ultrapassam os dias de feira e seguem beneficiando famílias, grupos produtivos e pequenos empreendedores criativos em diferentes regiões do estado. “Quando falamos desses números, falamos de dezenas de famílias beneficiadas, de novas encomendas, de novos compradores e de oportunidades que continuam surgindo mesmo depois do evento”, disse Caroá.

Com o desempenho alcançado no Salão do Artesanato de São Paulo, o setor artesanal alagoano agora volta suas atenções para a Fenearte, considerada a maior feira de artesanato da América Latina, que acontece dos dias 8 a 19 de julho. A expectativa é ampliar ainda mais os resultados e destacar Alagoas entre os principais polos do artesanato brasileiro.

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