
“Quando a gente passava aqui, era só duna. Pra estudar, tinha que atravessar areia na cara”. A lembrança de infância de Marina Vidal, vendedora do Hotel Mansur e estudante de Turismo, ajuda a traduzir a transformação vivida pela Praia de Macapá, em Luís Correia. Filha de pescadores, nascida e criada na comunidade, ela viu o litoral mudar com o avanço do turismo, dos esportes náuticos e dos investimentos privados que passaram a movimentar a região.
O empreendimento teve investimento global com recursos próprios de R$ 600 mil e já passou por um processo de expansão que incluiu a ampliação da vila interna, implantação de restaurante e espaços comerciais. O apoio da Investe Piauí também tem sido estratégico nos trâmites para acesso a crédito e divulgação do negócio.
De acordo com Laura Aquino, diretora comercial da agência, a instituição vem atuando diretamente no fortalecimento do empreendimento. “A Investe Piauí tem apoiado o empreendimento auxiliando para o destravamento de crédito junto à Badespi. Eles passaram por um processo de expansão, criando um empório, uma espécie de galeria comercial com produtos artesanais do Piauí que vão desde vestuário a cosméticos e bebidas e querem expandir ainda mais”, explica.
O Empório Mansur, instalado no hotel, se tornou uma vitrine da produção regional, reunindo artesanato, moda, bebidas e cosméticos piauienses, reforçando a conexão entre turismo e economia criativa no litoral.

A diretora acrescenta que o suporte da Investe Piauí continua na nova etapa de crescimento do hotel. “Hoje a empresa também busca ampliação de crédito para implantação dos novos bangalôs”, afirma.
A moradora Marina complementa que tem acompanhado de perto essa transformação na região. “Antes da minha casa dava pra ver quem passava no mar. Hoje não dá mais, porque são casas, hotéis, mas eu vejo isso como algo bom, porque está movimentando cada vez mais a nossa região e trazendo desenvolvimento”, pontua.
A jovem lembra que a comunidade precisou se adaptar ao avanço do mar ao longo dos anos. Segundo Marina, a erosão costeira destruiu casas e até uma escola da região. “Meu pai morava bem mais perto da maré. A casa foi levada, a escola também. Hoje a gente mora mais longe porque o mar acabou tomando o que era dele”, acrescenta a moradora.
Ao mesmo tempo em que testemunhou as mudanças, Marina também viu Macapá se consolidar como referência internacional no kitesurfe. “Hoje acontecem campeonatos internacionais que trazem pessoas de diversas culturas só para usufruir dos nossos ventos, que são um dos nossos maiores privilégios”, relata.

Sobre a perspectiva, Laura Aquino destaca que o litoral piauiense vive um novo ciclo de expansão turística em várias regiões além de no município de Cajueiro da Praia, na praia de Barra Grande. “Continuamos tendo um momento de bastante expansão em Barra Grande e há uma retomada dessa expansão em outros locais da região, como a Praia de Macapá, que tem se estruturado para recepcionar empreendimentos e turistas”, afirma.
Segundo ela, o diferencial natural da região tem atraído investidores e visitantes internacionais. “O Mansur tem uma pegada muito forte com o público internacional. É uma praia belíssima porque tem esse atrativo do misto de rio, mar e mangue. Isso tem atraído turistas que buscam novas experiências e conseguem ali viver algo exclusivo”, assinala.
Já a moradora Marina destaca que o desenvolvimento do turismo também tem ampliado oportunidades para os próprios moradores da comunidade. Há quase cinco meses trabalhando no hotel, ela afirma que muitos jovens conseguem permanecer na região sem precisar sair em busca de emprego em outros estados.
“Eu não precisei sair daqui pra trabalhar. E eles também aproveitam muito as pessoas da própria comunidade”, conta.
Estudante de Turismo, Marina quer transformar essa vivência em projeto social e profissional. O Trabalho de Conclusão de Curso dela será voltado justamente para a história do “kite de sacola”, tradição local em que crianças e adolescentes improvisavam velas e brincadeiras com sacolas plásticas, que já acontecia antes da popularização do kitesurfe profissional.

“Hoje a gente já tem até mini campeonato. Os nativos se reúnem, as escolas ajudam e a comunidade mantém viva essa origem para mostrar de onde tudo começou”, esclarece.
Ela também sonha em criar eventos voltados para a baixa temporada do litoral, conectando turistas à cultura e à gastronomia local. A proposta inclui experiências ligadas à pesca artesanal, à culinária típica e ao cotidiano da comunidade.
“Tem gente que nunca viu um marisco. A ideia é trazer as pessoas para viverem isso de verdade, entrar no mangue, conhecer nossa culinária, entender nossa cultura”, observa a jovem.
Primeira filha da família a chegar ao ensino superior, Marina enfrenta uma rotina puxada entre Macapá e a universidade, saindo de casa no fim da tarde e retornando perto da meia-noite. Mesmo assim, diz encontrar nos pais o incentivo para continuar estudando e ajudando a desenvolver a região onde cresceu.
“Macapá é um paraíso. Aqui tem oportunidade em tudo: artesanato, pesca, turismo, gastronomia. É um lugar com potencial enorme para quem quer investir e crescer junto com a comunidade”, celebra.

Ao comentar os próximos passos do empreendimento, Ítalo Barros, empresário do Mansur, destaca que o contato com a equipe da Investe Piauí tem sido importante para ampliar a visão da empresa sobre o potencial da Praia do Macapá e os caminhos para fortalecer ainda mais o turismo na região.
“Somos um grupo sólido, construído até aqui sem utilização de investimentos bancários, sempre com recursos próprios, planejamento e responsabilidade. Porém, hoje estamos reavaliando de forma estratégica a possibilidade de uma estruturação financeira mais robusta, com o objetivo de expandir significativamente o projeto, elevar ainda mais a qualidade da estrutura e do atendimento, aumentar a movimentação turística e gerar mais oportunidades de emprego e desenvolvimento para o litoral do Piauí”, relata.
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