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FEIRA DE SANTANA: A PRINCESA E SUA INTERESSANTE HIDROGRAFIA

A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade

03/11/2026 às 11h38
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Feira de Santana - BA
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Foto: ACM e Gabriel Calazns - Arquivo
Foto: ACM e Gabriel Calazns - Arquivo

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Não tem rios portentosos, volumosos, nem mesmo o Subaé, o mais importante de todos, mas tem a junção do Jacuípe e do Paraguaçu, que garante água potável abundante. Aliás, água nunca faltou à Princesa do Sertão, mesmo integrando o Polígono das Secas. Cisternas, aguadeiros, jumentos, corotes, tonéis, moringas, nascentes, Lagoa Grande e o Sistema Integrado do Paraguaçu. Uma síntese, ou gotas, da história da água na Terra de Senhora Santana.

 

Embora esteja 100% inserida no Polígono das Secas, região do território baiano caracterizada pela escassez de chuvas, e não possua rios de grande relevância, Feira de Santana, paradoxalmente, sempre contou com recursos hídricos interessantes. Tanto que sua origem, como pequeno povoado formado por boiadeiros e tropeiros, por volta de 1819, deu origem ao significativo topônimo Santana dos Olhos d'Água, correspondente ao vasto número de lagoas, riachos e olhos d'água espalhados naturalmente por todo o perímetro que viria a se constituir na sede ou futura zona urbana.

 

A bacia hidrográfica de Feira de Santana conta com poucos recursos hídricos próprios, considerando-se os rios Subaé, Cavaco, Calandro, Salgado, Peixes e Pojuca, este último com nascente no vizinho município de Santa Bárbara, que já integrou o território feirense. Essa proximidade permite associá-lo à hidrografia local. Todavia, o município tem como grandes pilares os rios Jacuípe, originário de Morrão, a uma altitude de 1.300 metros, na Chapada Diamantina, no município de Morro do Chapéu, a exatos cinco quilômetros da sede, e o Paraguaçu, que tem no Jacuípe seu grande tributário. É por meio do Sistema Integrado do Paraguaçu que a população feirense e a de outras cidades dessa região são contempladas com o abastecimento de água tratada.

 

Vale lembrar que, antes da consolidação desse sistema, até meados da década de 1950, a população urbana, já em pleno crescimento, valia-se das cisternas, poços que eram cavados próximos às residências, já que os quintais, geralmente, eram extensos e até dotados de muitas árvores frutíferas. Havia locais em que a água colhida por meio do uso de um engenho ou, simplesmente, com um balde ou lata atrelados a uma corda de boa extensão era límpida e potável. Todavia, em um local próximo, a qualidade não correspondia, obtendo-se água salobra e pesada. Nessa época, boa parte das famílias, em especial as de melhor condição financeira, comprava água fornecida por aguadeiros.

 

O transporte de água até as residências era feito em corotes (tonéis de madeira) carregados por animais, majoritariamente jumentos. Havia também fornecimento de água em potes (vasos de barro), que eram carregados na cabeça, nesse caso, por crianças e mulheres. Esse sistema era predominante no centro comercial e ocorria de forma abundante aos domingos e às segundas-feiras, dias de realização da gigantesca feira livre que mobilizava milhares de pessoas. A água vendida procedia de locais como o Ponto Central, vasta área a partir de onde hoje está localizada a Avenida Maria Quitéria; Tanque da Nação (nascentes que ali existiam); Mochila e, prioritariamente, Lagoa Grande, hoje uma área de lazer no bairro Santo Antônio dos Prazeres.

 

E foi exatamente nesse local, a Lagoa Grande, que, em 1957, foi inaugurado o primeiro sistema de água encanada de Feira de Santana, que tinha mais de 120 mil habitantes. A inauguração foi realizada pelo presidente da República, Juscelino Kubitschek, ao lado do prefeito João Marinho Falcão. Mas essa conquista havia sido prometida por seu antecessor, o presidente Getúlio Dornelles Vargas, em visita anterior a esta cidade, e confirmada quando recebeu uma representação feirense no Rio de Janeiro para solicitar a realização da obra. A comissão de políticos era formada por Francisco Pinto (estudante de Direito), pelos médicos Renato Santos Silva e Wilson Falcão e pelos professores Hamilton Cohim e Antônio Manoel Araújo. O deputado federal Carlos Valadares também os acompanhou.

 

Todavia, o gigantesco crescimento de Feira de Santana, que já ingressava de forma decisiva na era fabril, exigia muito mais. Essa necessidade veio a ser suprida com a implantação do Sistema Integrado do Paraguaçu, em 25 de fevereiro de 1971, pelo governador Luiz Viana Filho.

 

Hoje, bem servida de água do Paraguaçu, Feira continua contando com bom número de lagoas e nascentes, não obstante o desenfreado crescimento demográfico, diante do qual muitas pessoas têm desrespeitado a natureza. Reservas hídricas importantes continuam sendo destruídas, mesmo diante das ações governamentais de preservação.

 

Por Zadir Marques Porto

 



Foto: Reprodução/Prefeitura de Feira de Santana - BA
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Feira de Santana - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Feira de Santana - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Feira de Santana - BA
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