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Justiça ELEIÇÕES 2026

O Guloso!

Roberta Luchsinger e seu sócio Lulinha o guloso.

20/10/2026 às 12h03
Por: Redação Fonte: Cabra da Peste
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Cabra da Peste
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Política & Poder

A GULA DE BRASÍLIA: O BANQUETE DO PODER, A FOME DE DINHEIRO E A CONTA DO POVO

“Meu sócio é guloso”, escreveu Roberta Luchsinger ao se referir a Lulinha, segundo mensagens divulgadas pela imprensa. Em Brasília, a frase põe mais lenha no fogão de uma história que exige documentos, explicações e investigação — não condenações por encomenda.

Na feira da política brasileira, meu patrão, tem vendedor de promessa, freguês de privilégio, atravessador de influência e sujeito que jura que só passou pela cozinha para beber água. Quando a conversa chega ao dinheiro, porém, ninguém parece lembrar quem fez o pedido, quem serviu o prato e quem ficou responsável pela conta.

Eis que aparece a gula.

Não a fome honesta de quem enfrenta o batente para botar comida na mesa. É a gula que não se contenta com o prato servido: quer a travessa, o fogão, o estoque e, se ninguém vigiar, até a chave do caixa.

Brasília conhece bem esse tipo de banquete. O problema é que, quando a festa envolve relações financeiras sob questionamento e possíveis conexões com estruturas públicas, o cidadão não pode ficar apenas com o cheiro da comida. Tem direito de saber o que foi servido, quem pagou e se houve alguma irregularidade.

E agora há uma expressão que chama atenção nesse cardápio: “meu sócio é guloso”.

A FRASE QUE ACENDEU O FOGÃO

Segundo reportagem do Metrópoles, mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger registram a expressão “meu sócio é guloso tá”, em conversa de dezembro de 2023 com Quesede Ayres Henrique, ex-secretário de Saúde de Goiânia.

A reportagem relata que Roberta se referia a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como “sócio” em conversas privadas.

Pronto. A palavra está posta à mesa. E não foi este colunista que inventou o tempero.

Mas convém separar as coisas: chamar alguém de guloso numa mensagem não comprova crime, não estabelece por si só a natureza de uma sociedade empresarial e tampouco demonstra a origem ilícita de qualquer valor. A expressão é uma declaração atribuída a Roberta; seu significado e seu contexto precisam ser examinados junto com os demais elementos da apuração.

“Ainda assim, quando uma conversa privada passa a integrar o noticiário sobre relações financeiras investigadas, a pergunta pública é inevitável: afinal, que negócio era esse, que pagamentos foram mencionados e quais documentos esclarecem a história?”

Porque, em bom nordestinês, conversa é conversa; papel é papel; prova é outra história.

LULINHA: FILHO DO PRESIDENTE, MAS NÃO ACIMA DAS PERGUNTAS

Fábio Luís Lula da Silva é filho do presidente da República. Isso é fato. O que não se pode fazer é transformar parentesco em prova criminal, como se a certidão de nascimento viesse acompanhada de um mandado de condenação.

Mas também não existe sobrenome que conceda imunidade contra perguntas legítimas.

Se há mensagens que mencionam relações comerciais, pagamentos ou possíveis negócios, cabe esclarecer o que efetivamente ocorreu. Qual era a relação entre as pessoas envolvidas? Que serviços teriam sido prestados? Quais valores foram movimentados? Há contratos, comprovantes e registros que permitam verificar a finalidade das operações?

Essas são perguntas jornalísticas. Não são sentenças judiciais.

O próprio termo “sócio”, atribuído a Roberta nas mensagens, merece cuidado. Uma pessoa pode usar a palavra informalmente, para descrever uma parceria ou uma relação de confiança. A existência de uma sociedade empresarial formal, por sua vez, exige comprovação específica.

Portanto, nem o apelido resolve a investigação, nem o parentesco encerra a discussão.
O que não dá é para tratar uma mensagem como condenação definitiva quando convém e como brincadeira sem importância quando incomoda.

A régua precisa ser a mesma para todos.

QUANDO A CONTA CHEGA AO INSS

A história ganha outra dimensão quando as apurações envolvem suspeitas relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS.

Aí o assunto deixa de ser apenas uma disputa entre personagens influentes. Entra em cena o aposentado que trabalhou a vida inteira, a pensionista que calcula cada compra e a família que depende de um benefício para pagar comida, remédio e contas básicas.

Para quem vive com o orçamento contado no lápis, um desconto indevido não é uma linha insignificante numa planilha. É a feira que fica menor. É o medicamento que precisa esperar. É a conta de luz que não aceita discurso político como forma de pagamento.

É por isso que qualquer suspeita de exploração indevida de estruturas relacionadas a benefícios previdenciários precisa ser apurada com rigor.

Quem recebeu dinheiro?

Qual era a finalidade?

Houve prestação de serviços?

Existem indícios concretos de fraude?

Quais pessoas, se alguma irregularidade for comprovada, participaram dos fatos?

E atenção: a existência de uma investigação não significa que todos os nomes citados sejam culpados, nem que todas as operações mencionadas pertençam a uma única trama.

A apuração deve estabelecer o que aconteceu, quem participou e qual foi a responsabilidade individual de cada envolvido.

O dinheiro do aposentado não é sobra de feira para qualquer esperto enfiar no saco. É fruto do trabalho de quem contribuiu e depende de instituições que funcionem.

Se houve irregularidade, que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados conforme a lei. Se não houver prova suficiente contra determinada pessoa, que isso também seja dito com clareza.

Sem blindagem para os poderosos.
Sem condenação por palpite.

ROBERTA, VORCARO E A PANELA DAS CONEXÕES

Outro nome que aparece no noticiário sobre controvérsias financeiras é o de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Mas há uma regra básica para quem pretende fazer jornalismo, e não cozinhar uma teoria por conta própria: episódios diferentes não se transformam em uma única trama só porque os nomes envolvidos despertam curiosidade.

Uma transferência precisa ter origem, destino e finalidade esclarecidos. Uma relação comercial deve ser analisada em seu contexto. Uma conexão entre duas pessoas só pode ser apresentada como fato quando houver elementos que a sustentem.

Se existem documentos ligando operações ou personagens, que sejam examinados e apresentados. Se a ligação não foi demonstrada, não cabe preencher a lacuna com insinuações.

A realidade brasileira já oferece assunto suficiente para ninguém precisar inventar tempero.

E quanto mais grave a suspeita, maior deve ser o cuidado com a prova. Isso não é passar pano. É impedir que o espetáculo ocupe o lugar da verdade.

A GULA TEM PARTIDO?

Aqui chegamos à parte em que certos comensais perdem a compostura antes mesmo de o garçom trazer o cardápio.

Quando o suspeito é adversário, há quem exija investigação, afastamento e punição antes de o café esfriar. Quando é aliado, surgem as palavras mágicas: perseguição, armação, narrativa e interesses ocultos.

Troque os partidos e os personagens, e o roteiro continua quase igual.

“É a justiça com cardápio personalizado: para o inimigo, uma porção generosa de suspeitas; para o amigo, uma dieta rigorosa de perguntas. A régua entorta tanto que já não mede a realidade — apenas aponta na direção conveniente.”

Mas corrupção não tem filiação partidária obrigatória. A transparência não pode ser uma virtude exigida exclusivamente dos adversários, assim como a presunção de inocência não pode virar privilégio reservado aos aliados.

Se existem indícios, investigue-se. Se faltam provas, reconheça-se a limitação. Se a acusação não se sustenta, corrija-se. Se a irregularidade for comprovada, responsabilize-se quem tiver culpa.

O mesmo padrão, meu povo. Sem desconto para amigo, sem taxa extra para inimigo.

A imprensa não existe para escolher quem merece fiscalização de acordo com a conveniência eleitoral. Existe para confrontar versões com documentos e informar o público, inclusive quando a conclusão desagrada ao próprio lado.

Político pode trocar de discurso conforme a plateia. O compromisso com os fatos não deveria trocar de mesa conforme a eleição.

QUEM PEDIU O BANQUETE? QUEM PAGA A CONTA?

Brasília tem uma habilidade curiosa: quando surge uma pergunta incômoda, muita gente prefere discutir a intenção de quem perguntou a responder ao que foi perguntado.

Questiona-se o jornalista, ataca-se o adversário, denuncia-se a perseguição, reclama-se da manchete. No meio da confusão, o assunto principal corre o risco de desaparecer debaixo de uma montanha de discursos.

Mas a pergunta continua de pé: o que aconteceu, afinal?

Se as operações mencionadas foram legítimas, os documentos e os esclarecimentos podem ajudar a demonstrar sua regularidade. Se houve irregularidades, é preciso identificar os responsáveis com base em evidências. E, se a investigação ainda não chegou a uma conclusão, o público tem direito de saber o que está comprovado, o que foi alegado e o que permanece em aberto.

Não é exigir demais. É o mínimo numa democracia que leva a sério o dinheiro público e o direito de defesa.

O cidadão não participa das reuniões reservadas, não escolhe os convidados dos círculos de influência e quase nunca conhece o cardápio antes de receber a conta. Mas financia o Estado por meio dos tributos, depende dos serviços públicos e sofre quando instituições são usadas indevidamente.

Por isso, transparência não pertence a partido algum. Pertence à sociedade.

E a sociedade tem todo o direito de perguntar quem estava à mesa, qual negócio foi realizado, que dinheiro circulou e se existe alguma irregularidade a ser comprovada.

A ÚLTIMA COLHERADA

A política brasileira já tem discurso bonito demais para explicação de menos.

No caso de Roberta Luchsinger e Lulinha, a frase “meu sócio é guloso”, atribuída a Roberta em mensagens divulgadas pela imprensa, chama atenção e merece ser compreendida no contexto da apuração. Mas uma expressão, por mais sugestiva que seja, não substitui a investigação dos fatos nem autoriza concluir antecipadamente que houve crime.

O mesmo cuidado vale para o “Careca do INSS”, Daniel Vorcaro e quaisquer outras pessoas mencionadas em episódios relacionados. Cada caso exige provas específicas, contexto próprio e oportunidade de resposta. Não cabe juntar nomes diferentes num pacote de culpa, tampouco proteger alguém contra perguntas legítimas.

A sátira tem seu lugar. Cutuca a arrogância, expõe a hipocrisia e mostra o absurdo de quem exige transparência dos outros, mas fecha a cortina quando a pergunta bate à própria porta.

Só não pode tomar o lugar da prova.

Porque, no grande restaurante de Brasília, não basta saber quem repetiu o prato. É preciso descobrir quem fez o pedido, qual negócio foi realizado, quem recebeu o pagamento e se o serviço foi realmente entregue.

E, se houver irregularidade, que se descubra quem responde por ela.

No fim das contas, meu povo, a questão não é quem tem mais fome. É saber se alguém confundiu o banquete público com a despensa particular.

“Porque, em Brasília, tem gente que escolhe a mesa, gente que serve o prato e gente que fala em sociedade. Mas o povo brasileiro está cansado de ser o freguês que paga a conta sem sequer ter recebido o cardápio.”

Porque, em Brasília, tem gente que escolhe a mesa, gente que serve o prato e gente que fala em sociedade. Mas o povo brasileiro está cansado de ser o freguês que paga a conta sem sequer ter recebido o cardápio.

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