
Quase 13 mil alagoanos já passaram por cirurgias oftalmológicas gratuitas realizadas pelo programa Olhar da Gente, iniciativa da Prefeitura de Maceió, executada pelo Hospital da Cidade (HC). Desde o lançamento, em maio de 2025, o programa percorreu 25 municípios alagoanos e ampliou o acesso ao tratamento de catarata, uma das principais causas de perda da visão e de redução da autonomia, especialmente entre a população idosa.
Os números ganham ainda mais relevância nesta quinta-feira (8), quando é celebrado o Dia Mundial da Visão. A data chama atenção para a necessidade de prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças que comprometem a capacidade de enxergar. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo vivem com algum grau de deficiência visual. Em pelo menos um bilhão desses casos, a perda da visão poderia ter sido evitada, ou ainda não recebeu o tratamento adequado.
Em Alagoas, o Olhar da Gente surgiu a partir de uma demanda identificada nas ações do Saúde da Gente, programa itinerante que leva atendimento aos bairros de Maceió. Durante as triagens, a procura por consultas e procedimentos oftalmológicos, principalmente entre idosos, chamou a atenção das equipes e contribuiu para a criação de uma estratégia específica para ampliar o acesso às cirurgias.
Desde então, o programa deixou a capital e chegou a diferentes regiões do estado. Entre os municípios que receberam a iniciativa estão São José da Laje, Flexeiras, Ibateguara, Satuba, Maragogi, União dos Palmares, São Miguel dos Milagres, São Luís do Quitunde, Rio Largo, Coruripe, Mar Vermelho, Coité do Nóia e Messias, além de outras cidades do interior.
A catarata ocorre quando o cristalino, lente natural do olho, perde a transparência e passa a comprometer progressivamente a visão. A dificuldade para enxergar pode interferir em tarefas cotidianas como caminhar, ler, trabalhar e reconhecer pessoas, além de aumentar a dependência de familiares e cuidadores. A cirurgia é considerada o principal tratamento para a recuperação da visão nos casos em que a catarata provoca limitações significativas.
Para Camila Porciúncula, diretora-presidente do Maceió Saúde, o a capacidade de operacionalização do Hospital da Cidade e nível dos profissionais são fundamentais para o sucesso da iniciativa.
“Quando olhamos para quase 13 mil cirurgias, estamos falando de quase 13 mil histórias. Em muitos casos, a recuperação da visão significa voltar a realizar atividades que pareciam simples, mas que haviam deixado de fazer parte da rotina. É esse impacto na vida das pessoas que dá sentido ao trabalho realizado por todos nós, que fazemos o Hospital da Cidade”, disse.
Além da dificuldade para realizar atividades básicas, a deficiência visual também produz impactos sociais e econômicos. De acordo com a OMS, a perda de produtividade associada à deficiência visual representa um prejuízo superior a US$ 400 bilhões por ano em todo o mundo. Entre as causas estão problemas como miopia, hipermetropia, astigmatismo e catarata, além de doenças como glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada à idade.
A ampliação do acesso aos procedimentos oftalmológicos também faz parte da atuação do Hospital da Cidade, administrado pelo Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos. O hospital tem atuação voltada à baixa e média complexidade e vem adotando processos padronizados, protocolos de segurança e estratégias de gestão para ampliar a eficiência e a qualidade da assistência.
Conforme a diretora-geral do Hospital da Cidade, dra. Célia Fernandes, as quase 13 mil cirurgias devem ser observadas também sob a perspectiva da autonomia dos pacientes. “A cirurgia de catarata não representa apenas uma melhora na visão. Para muitos pacientes, ela significa recuperar a independência para realizar atividades do cotidiano e ter mais segurança para se movimentar. Nosso papel como hospital é oferecer um atendimento seguro e qualificado, desde a chegada do paciente até o acompanhamento após o procedimento”, pontua.
A catarata está entre as condições mais frequentes associadas à perda visual em pessoas idosas e, quando não tratada, pode comprometer progressivamente a independência do paciente.
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