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Em Sorriso, quase 70% dos diabéticos não fazem acompanhamento

Número preocupa a Secretaria de Saúde; “é essencial que esses pacientes retomem o tratamento”, destaca o gestor da pasta

03/08/2026 às 11h40
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Sorriso - MT
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Sorriso - MT
Foto: Reprodução/Prefeitura de Sorriso - MT

Diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina. Caso já tenha ouvido essa explicação, você possivelmente conhece algum portador da condição. Mas, será que ele faz acompanhamento? Essa é a questão que a Secretaria de Saúde de Sorriso quer reverter: no Município, dos 7.779 pacientes já diagnosticados, apenas 2.409 realizam o acompanhamento de forma adequada. O número, equivale a 69,03% do total de pacientes já diagnosticados.

“Esse quadro nos preocupa, traz à tona dados reais de pacientes que algum momento foram atendidos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), realizaram exames laboratoriais em que a diabetes foi diagnosticada, iniciaram o tratamento e, por algum motivo, desistiram”, explica o gestor da pasta de Sáude, Vanio Jordani.

Para reverter o quadro, a recomendação é simples: pacientes que iniciaram e interromperam por conta própria o tratamento devem procurar com urgência uma UBS e retomar o acompanhamento.

Toda terça-feira, no período da tarde, o horário é reservado para atender preferencialmente diabéticos e hipertensos, inclusive, estes últimos também estão abandonando o tratamento iniciado e a recomendação é que retomem.

Vanio também detalha que pacientes em tratamento devem realizar exames de acompanhamento a cada seis meses. “Os pacientes costumam procurar a UBS para retirar novas receitas, e precisa ficar claro que a cada seis meses no máximo é preciso passar por nova consulta e refazer os exames laboratoriais”, detalha.

O médico detalha que o diabete pode causar o aumento da glicemia e as altas taxas podem levar a complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos. Em casos mais graves e não tratado, o diabetes pode levar à morte. “Os níveis normais de glicose no sangue em jejum para pessoas sem diabetes ficam entre70 e 99 mg/dL”, alerta o secretário.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, existem atualmente, no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que representa 6,9% da população nacional. A melhor forma de prevenir é praticando atividades físicas regularmente, mantendo uma alimentação saudável e evitando consumo de álcool, tabaco e outras drogas. Comportamentos saudáveis evitam não apenas o diabetes, mas outras doenças crônicas, como o câncer.

“Achei que era labirintite”

Funcionário público, Antônio Mazzei, 72 anos, relata que durante a pandemia começou a passar mal. Os sinais vitais estavam bons. Mas a dor de cabeça e a tontura nunca passavam. Achando que era labirintite, procurou atendimento. Os exames revelaram diabetes. A partir daí iniciou o uso de medicação e uma dieta rigorosa: a quantidade de furtas consumidas foi cortada, o café perdeu o açúcar e a bebida preferida passou a ser água. “Quando sinto vontade comer pão tiro o ‘miolo’ e consumo apenas a casca, sou portador do tipo 2”, conta, sobre a nova vida.

Apesar de Mazzei ter sido diagnosticado há pouco tempo, a convivência com o diabetes tem estado na família há muito tempo: o filho, Antônio Igor Furlan Mazzei, foi diagnosticado aos 8 anos de idade. “Levamos um grande susto: ele começou a passar mal e preocupar os pais. “Foi a doutora Flayane (a pediatra Flayane Calil), que pediu o exame. Eram umas 19 horas quando ela ligou nos comunicando que precisamos retornar urgente ao hospital”, lembra.

 A glicose de Antônio Igor estava acima de 500 mg/dL, ele foi diagnosticado com diabetes tipo 1. Foram três dias de internação e tentativas de dosagens. Hoje, aos 22 anos, ele mesmo é responsável pela dieta que segue e pela aplicação de insulina, realizada três vezes ao dia.

“A medicação do meu filho conseguimos pelo Estado por meio da Farmácia de Alto Custo, ele faz acompanhamento e realiza exames a cada dois meses”, relata o pai. “Ele é muito consciente e segue todas as recomendações, graças a Deus, hoje está bem”, pontua.

Tipos mais comuns de diabetes

O diabetes mellitus pode se apresentar de diversas formas e possui diversos tipos diferentes. Independente do tipo de diabetes, com aparecimento de qualquer sintoma é fundamental que o paciente procure um serviço de saúde para dar início ao tratamento.

Tipo: 1
O Diabetes Melito tipo 1 (DM1) é uma doença crônica não transmissível, hereditária, caracterizada pela destruição das células do pâncreas (beta-pancreáticas) responsáveis pela produção e secreção de insulina, o que resulta em uma deficiência na secreção deste hormônio no organismo.

O pico de incidência do DM1 ocorre em crianças e adolescentes, entre 10 e 14 anos, e, menos comumente, em adultos de qualquer idade, embora o diagnóstico em pessoas adultas também seja recorrente. No Brasil, estima-se que ocorram 25,6 casos por 100.000 habitantes a cada ano, sendo considerada uma incidência elevada.

O tratamento exige o uso diário de insulina para regular os níveis de glicose no sangue, evitando assim complicações da doença.

Pré-diabetes
É quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não estão elevados o suficiente para caracterizar um Diabetes Tipo 1 ou Tipo 2. É um sinal de alerta do corpo, que normalmente aparece em obesos, hipertensos e/ou pessoas com alterações nos lipídios.

Esse alerta do corpo é importante por ser a única etapa do diabetes que ainda pode ser revertida, prevenindo a evolução da doença e o aparecimento de complicações, incluindo o infarto. No entanto, 50% dos pacientes que têm o diagnóstico de pré-diabetes, mesmo com as devidas orientações médicas, desenvolvem a doença. A mudança de hábito alimentar e a prática de exercícios são os principais fatores de sucesso para o controle.

Tipo: 2
O diabetes tipo 2 ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida. A causa do diabetes tipo 2 está diretamente relacionado ao:

Sobrepeso

Sedentarismo

Triglicerídeos elevados

Hipertensão; e

Hábitos alimentares inadequados.

Por isso, é essencial manter acompanhamento médico para tratar, também, dessas outras doenças, que podem aparecer junto com o diabetes. Cerca de 90% dos pacientes diabéticos no Brasil têm esse tipo.

 

Diabetes gestacional
Ocorre temporariamente durante a gravidez. As taxas de açúcar no sangue ficam acima do normal, mas ainda abaixo do valor para ser classificada como diabetes tipo 2.

Toda gestante deve fazer o exame de diabetes, regularmente, durante o pré-natal. Mulheres com a doença têm maior risco de complicações durante a gravidez e o parto.

Esse tipo de diabetes afeta entre 2 e 4% de todas as gestantes e implica risco aumentado do desenvolvimento posterior de diabetes para a mãe e o bebê.

 

Diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA)
É uma condição que acomete os adultos e caracteriza-se pela destruição de células pancreáticas devido ao desenvolvimento de um processo autoimune do organismo.

Fatores de risco

Além dos fatores genéticos e a ausência de hábitos saudáveis, existem outros fatores de risco que pode contribuir para o desenvolvimento do diabetes.

Diagnóstico de pré-diabetes

Pressão alta

Pais, irmãos ou parentes próximos com diabetes

Colesterol alto ou alterações na taxa de triglicérides no sangue

Doenças renais crônicas

Diabetes gestacional

Mulher que deu à luz criança com mais de 4kg

Sobrepeso, principalmente se a gordura estiver concentrada em volta da cintura

Síndrome de ovários policísticos

Apneia do sono

Uso de medicamentos da classe dos glicocorticoides

Diagnóstico de distúrbios psiquiátricos - esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar

 

Sintomas

Os principais sintomas do diabete são: fome e sede excessiva e vontade de urinar várias vezes ao dia.

Tipo: 1

Fome frequente;

Sede constante;

Vontade de urinar diversas vezes ao dia;

Perda de peso;

Fraqueza;

Fadiga;

Mudanças de humor;

Náusea e vômito.

Tipo: 2

Fome frequente;

Sede constante;

Vontade de urinar diversas vezes;

Formigamento nos pés e mãos;

Infecções frequentes na bexiga, rins, pele e infecções de pele;

Feridas que demoram para cicatrizar;

Visão embaçada.

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