
Os moradores do Complexo da Maré e região poderão produzir filmes pelo celular, contando a rotina da periferia. O projeto Curta Periferias é direcionado para impulsionar o audiovisual independente, com criatividade e recursos disponíveis no celular, mostrando a vida na favela e superando preconceitos. Os participantes da Maré vão receber formação sobre introdução e prática do audiovisual com uso do celular, abordando desde conceitos fundamentais até a produção de um curta-metragem. E terão acesso às etapas de produção; compreensão das funções envolvidas no processo de criação e planejamento de um curta; roteiro; técnicas de filmagem com celular e edição de vídeo com ferramentas gratuitas, entre outros temas.
O morador do Complexo da Maré que quiser participar precisa ter entre 15 e 35 anos. As inscrições vão até 28 de julho e devem ser feitas por meio de formulário online . O edital está disponível na internet . É possível também ir à sede da Navezinha Carioca da Maré (Rua Sargento Silva Nunes, 608, sala 43, Shopping Win), imprimir o formulário e preencher no local.
A iniciativa da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio, da RioFilme, da Universidade Internacional das Periferias (Uniperiferias), do Bela Maré e do Observatório de Favelas ganha uma nova e importante parceria: Firjan Sesi. Com isso, o projeto amplia a atuação a partir da perspectiva do projeto Cine SESI, desenvolvido nas escolas com base nos eixos do cineclubismo e da produção audiovisual estudantil. O projeto foi contemplado com fomento do Conselho Nacional do SESI (CN-SESI), por meio do Edital Conexão SESI 2026, que fortalece oportunidades de formação, expressão cultural e inserção socioprofissional para jovens, além de valorizar narrativas periféricas e incentivar o protagonismo juvenil através do audiovisual.
O secretário municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio, Gabriel Medina, destacou a valorização da criatividade das comunidades:
– Entendemos que o cinema é uma importante ferramenta tecnológica. Por meio das Navezinhas, presentes nas favelas, conectamos o audiovisual, a inovação e a economia criativa para transformar comunidades em autênticos ecossistemas de inovação. Com isso, promovemos a autonomia local, a prosperidade e o desenvolvimento territorial. O fortalecimento das parcerias e o resultado gerado pelo Curta Periferias consolidaram o sucesso do programa, que entra em fase de expansão. O Complexo da Maré será a próxima comunidade contemplada. Vamos garantir que as comunidades possam visibilizar suas histórias, mostrando que favela é potência e criatividade – anunciou.
O diretor-presidente da RioFilme, Leonardo Edde, ressaltou a importância do caráter inclusivo do projeto:
– O Curta Periferias mostra exatamente o caminho que a Prefeitura do Rio, por meio da RioFilme e da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, está construindo: desenvolvimento territorial com formação, tecnologia, audiovisual e inclusão produtiva. Hoje, o celular, a câmera, a edição, a inteligência de dados, as redes e a narrativa fazem parte de um mesmo ecossistema. A verdadeira inclusão acontece quando os territórios não são apenas consumidores dessas ferramentas, mas passam a dominar a tecnologia para contar suas histórias, gerar renda, empreender e disputar espaço no mercado – afirmou Leonardo Edde.
O gerente de Educação Básica da Firjan SESI, Vinicius Mano, reafirmou o compromisso com o aumento das oportunidades para os jovens no audiovisual:
– Acreditamos que o audiovisual seja uma poderosa ferramenta de educação, expressão e transformação social. Ao integrar o Curta Periferias, a Firjan SESI soma a experiência do Cine SESI na formação de jovens produtores de conteúdo, incentivando o olhar crítico, a criatividade e o protagonismo juvenil, além de fortalecer a indústria criativa dentro do território. Esta parceria reafirma nosso compromisso com a valorização das narrativas periféricas e com a ampliação de oportunidades para que mais jovens possam contar suas próprias histórias, desenvolver novas competências e enxergar no audiovisual um caminho de desenvolvimento pessoal e profissional – destacou.
Os idealizadores do Curta Periferias vão continuar apostando na diversidade e na inclusão e o processo seletivo da Maré também vai priorizar pessoas negras (pretas e pardas); mulheres; pessoas indígenas; pessoas LGBTQIAPN+; pessoas com deficiência e jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
A primeira edição do projeto foi realizada com os moradores da Rocinha e região. O vencedor foi Walter Alves Barbosa Junior, com o curta-metragem “Corre Cria”. Além do ganhador, que teve direito ao prêmio de R$ 1.500,00, foram agraciadas Isabella do Anjos Alvarez, com “Do Lado De Cá”, que ficou no 2º lugar e recebeu R$ 1.000,00, e Maria Clara da Silva França, com “Botânica no Beco”, no 3º Lugar e que ganhou R$ 500,00.
No evento de encerramento do Curta Periferias Rocinha, que teve duração de seis semanas, houve a formatura de sete jovens que chegaram até o fim do curso e produziram curtas de um minuto com o próprio celular. Miguel Almeida, com o filme “Humano Sistemático”; Luiz Fernando Santos Alves, com “Periferia Brasil”; Dayana Dionisio Dos Santos, Maria da Mata; e Ana Flavya Ferreira de Figueiredo, com “X-tudo de Cria”, além dos três primeiros lugares.
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