
A Fundação Iraci Gama de Cultura (Figam) deu início, neste sábado (27), ao processo de formação dos jovens selecionados para o Salão Estudantil de Artes Visuais. O projeto capacitará novos talentos locais para produzirem peças que serão expostas no mês de outubro, na Galeria de Arte Mário Cravo Júnior, localizada na Estação São Francisco.
A iniciativa contacom o apoio financeiro da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo de Alagoinhas (Secet),por meio deedital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB),dentro da Política Nacional Cultura Viva. “A PNAB é uma ferramenta fundamental para democratizar o acesso aos recursos e fortalecer nossa identidade cultural, e o apoio da Prefeitura de Alagoinhas a esta iniciativa reforça o compromisso da gestão municipal em garantir que nossos jovens tenham o suporte necessário para transformar talento em carreira e cidadania”, afirma o diretor administrativo da Secet, Erivaldo Souza.
Até o mês de setembro, os estudantes passarão por uma mentoria intensiva conduzida por artistas reconhecidos na cidade e região. O cronograma de capacitação abrange pilares fundamentais para a profissionalização, como identidade artística (exploração de referências, definição de estilo e criação de portfólio), método criativo (desenvolvimento de processos pessoais, rotinas de criação e experimentação de materiais) e mercado e gestão (técnicas de precificação e inserção no mercado da arte).
Perspectivas e legado
A professora Iraci Gama, idealizadora da Figam, destaca que o Salão Estudantil resgata um movimento histórico iniciado em 1978, quando ocorreu em Alagoinhas o Salão de Artes Plásticas. “A Figam é herdeira de um movimento cultural extraordinário nesta cidade, que começou em 1978 e produziu um primeiro Salão de ‘Artes Plásticas’, termo utilizado à época para as artes visuais. Hoje, estamos felizes por cumprir o papel de dar continuidade a essa missão cultural tão importante e que atua diretamente sobre a vida desses jovens, nossos prováveis artistas visuais de amanhã. Estamos abrindo caminhos e perspectivas para pessoas que têm disposição para a arte e querem trabalhar e viver da arte”, comenta.
Coordenador da capacitação, o artista visual LittusSilva reforça o papel do projeto em promover uma troca de conhecimentos e experiências que os artistas geralmente não têm no início da carreira. “Para ser artista, é preciso fazer uma caminhada, e a estrada muitas vezes não é desenhada claramente, pois nós somos ilhas, ficamos em nossos ateliês, desenvolvendo as atividades, e acabamos construindo um casulo que, para romper, dá trabalho. O Salão Estudantil de Artes Visuais vem nessa perspectiva. Não é simplesmente celebrar um momento de exposição, mas pensar nesses jovens enquanto sujeitos preocupados em ser artistas e um dia, talvez, sobreviver de arte”, diz.
Um dos beneficiados é João Paulo Santana Lima, de 18 anos. Morador do Barreiro e autodidata na criação dehistórias em quadrinhos, ele vê no projeto a validação de sua escolha profissional. “Muitos dizem que arte não dá dinheiro, não tem futuro, mas tem. Essa capacitação e a exposição de outubro vão começar a abrir os espaços que precisamos para viver do nosso talento”, afirma.
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