
A Casa do Autista de Maceió abre novamente as portas neste sábado(19) para um dia de acolhimento, inclusão, serviços gratuitos e valorização do empreendedorismo de famílias atípicas. Das 8h às 14h, a unidade recebe a Feira das Famílias Atípicas Empreendedoras, reunindo produtos, histórias e iniciativas de pessoas que transformaram criatividade, afeto e necessidade em oportunidades de trabalho e geração de renda.
Entre os expositores está Netinho, de 23 anos, que apresenta com entusiasmo os produtos de sua loja, a Preta Netinho. Autista, ele divide o negócio com a mãe e faz questão de mostrar cada item aos visitantes, transformando a divulgação da loja em um momento de interação e diversão. Entre os produtos estão brinquedos, jogos e itens pensados para estimular a participação das crianças em atividades do cotidiano.
“Tá esperando o que, gente? Vem para cá, venham para a Casa do Autista!”, brinca Netinho ao fazer o convite para que as famílias conheçam a feira.
Mãe atípica, a empreendedora Alene também estará no evento com duas lojas, sendo uma voltada para inclusão e acessórios e outra especializada em pijamas e autocuidado. Para ela, participar da feira representa não apenas uma oportunidade de apresentar os produtos, mas também de estar em um espaço onde as famílias atípicas se reconhecem, trocam experiências e encontram apoio.
A programação também ganha significado especial para mães e pais que chegam à Casa do Autista em busca de atendimento para os filhos. Moradora de Santa Lúcia, Sara Ingrid é mãe de Noemi Hadassa, de 6 anos, e Leandro, de 2. Depois de esperar por cerca de dois anos por uma oportunidade de atendimento para a filha, ela conta que foi recebida com acolhimento na unidade.
“Se você é mãe, insista, seja forte que a vitória vem. Hoje estou especialmente feliz pelo atendimento médico especializado que consegui para meus filhos", diz a mãe sobre as consultas com neuropediatras disponibilizadas durante as ações de sábado.
Para Adeilson Gomes de Lima, morador de Santa Amélia e pai deArthurGomes de Lima, de 5 anos, a chegada à Casa do Autista também representa uma nova possibilidade. Na primeira experiência do filho na unidade, ele conta que a família não tinha condições de arcar com determinados atendimentos e encontrou no serviço público uma porta de acolhimento. Arthur iniciou, na ocasião, sua primeira experiência com fisioterapia.“Quem tiver filho autista, é muito bem-vindo aqui. Está uma maravilha”, afirma o pai.
Além da feira, o sábado terá uma série de serviços gratuitos para facilitar o acesso das famílias a direitos, cuidados e orientações. A programação inclui a emissão da Carteira da Pessoa com Deficiência, realizada pela Unidade Descentralizada de Assistência Social (Udas); vacinação, com os imunizantes disponíveis na rede pública municipal; emissão do cartão de estacionamento para pessoas com deficiência, por meio do Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT); atendimento do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) para atualização e inclusão no Cadastro Único; e orientação jurídica especializada, disponibilizada pelo Maceió Saúde.
A proposta é concentrar, em um mesmo espaço, serviços que muitas vezes exigem que as famílias percorram diferentes unidades e órgãos públicos. Para Camila Porciúncula, diretora-presidente do Maceió Saúde, ações como essa aproximam os serviços das famílias e reforçam que o cuidado com a pessoa autista precisa considerar também as necessidades de quem está ao seu lado.
“Quando conseguimos reunir serviços, informação, acolhimento e oportunidades de convivência em um mesmo espaço, estamos ajudando a tornar a jornada das famílias mais simples e acessível. A Casa do Autista tem justamente esse papel de ser um espaço de cuidado, mas também de escuta, orientação e inclusão”, frisa Camila.
À frente da Casa do Autista, a gerente-geral Fabiana Lisboa ressalta que a programação especial também valoriza as potencialidades das próprias famílias. Segundo ela, a feira cria um ambiente em que mães, pais e empreendedores podem apresentar seus trabalhos, estabelecer conexões e fortalecer uma rede que vai além do atendimento em saúde.
“A Casa do Autista é um espaço construído para acolher as famílias em diferentes momentos. Trazer os empreendedores atípicos para dentro da unidade é também reconhecer talentos, histórias e possibilidades. Queremos que as famílias venham, participem, conheçam os serviços, prestigiem os empreendedores e percebam que aqui existe uma rede de apoio”, afirma Fabiana.
A iniciativa também conta com o convite de Tiago João, de 12 anos, autista e integrante do grupo Empreender por Amor. Ele chama o público para conhecer os produtos comercializados pelos empreendedores, entre eles canetas, marcadores e agendas. “Não perca a sua oportunidade. Venha para cá, na Casa do Autista!”, convida.
A programação especial aos sábados durante o mês de setembro não inclui os atendimentos terapêuticos regulares realizados pela Casa do Autista. As ações de sábado são atividades especiais e de demanda espontânea, com serviços definidos para cada edição.
Com uma equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos, a Casa do Autista amplia o olhar sobre o cuidado e entende que acolher as famílias também é uma forma de promover saúde, inclusão e qualidade de vida para crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Veja como ter acesso
Para ter acesso aos serviços da Casa do Autista, o primeiro passo é reunir a documentação necessária e levá-la ao Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, localizado na Avenida Fernandes Lima, 2335, no bairro Farol, onde será aberto o processo. Entre os documentos exigidos estão RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência e encaminhamento médico da criança ou adolescente, além dos documentos do responsável legal.
A partir da abertura do processo, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria Municipal de Saúde realiza a análise e regulação dos casos. São priorizados aqueles que ainda não estão inseridos na rede pública de saúde, como os Centros Especializados em Reabilitação (CER) ou serviços contratualizados, e que se encontram em fila de espera na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência.
Após a avaliação, os pacientes são encaminhados gradualmente para os serviços disponíveis, incluindo a própria Casa do Autista. Caso a demanda ultrapasse a capacidade de atendimento, os solicitantes permanecem em fila de espera, respeitando critérios técnicos e de prioridade.
A Casa do Autista é administrada pelo Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos voltada à modernização e à eficiência na gestão das unidades municipais de saúde. A instituição atua com foco em boas práticas de governança e qualidade na assistência prestada à população de Maceió, sendo responsável por implantar processos que integram inovação, cuidado e gestão eficiente.
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