
A ciência, a inovação e a sustentabilidade caminham de mãos dadas na Sanepar. Pesquisas e experimentos desenvolvidos pela Companhia desde 2014 em 25 hectares de sítios experimentais, localizados no entorno do Reservatório Piraquara II (RMC), demonstraram a eficácia de estratégias para recuperação ambiental de áreas degradadas.
Os sítios fazem parte de uma rede de estações experimentais relacionadas à linha de pesquisa “Novos processos para a conservação de mananciais”, que teve início com a necessidade de aprimorar a recuperação do entorno do reservatório no processo de compensação ambiental. O resultado é o retorno da biodiversidade local com base na sucessão ecológica, um processo gradual e progressivo de estabelecimento de flora e de fauna até a formação de um ecossistema complexo e estável.
O sucesso dos sítios experimentais serviu como base para a recuperação de áreas do Reservatório Miringuava, com o plantio de 250 mil mudas de árvores nativas, para a publicação de artigos científicos em periódicos nacionais e internacionais sobre restauração ecológica e a realização de pesquisas em conjunto com universidades.
De acordo com o engenheiro florestal da área de Pesquisa da Sanepar, Maurício Bergamini Scheer, a recuperação das áreas ao redor dos reservatórios de água, bem como das bacias de mananciais, está diretamente relacionada à garantia de disponibilidade hídrica para o abastecimento público. “Sem vegetação, ocorre a erosão do solo e, consequentemente, o assoreamento da barragem, o que reduz sua vida útil, impacta a qualidade da água e a quantidade da reservação”, explica.
Outro problema é o enriquecimento do corpo hídrico com nutrientes indesejados, favorecendo o crescimento de plantas aquáticas, como algas, que podem afetar o tratamento da água.
Com a restauração ambiental, as áreas passam a ser ocupadas pelos ecossistemas nativos, que melhoram a infiltração da água no solo e evitam a erosão. Os resultados são o aumento da quantidade e da qualidade da água, da fixação de carbono, a melhora do sombreamento e microclima, al[em da recuperação de nutrientes e da matéria orgânica do solo e a intensificação da umidade do terreno.
EXPERIMENTOS– Scheer afirma que existem diversos graus e níveis de degradação do solo, o que impacta tanto na “saúde” do reservatório, quanto no ecossistema da região. Para definir as tecnologias com melhores resultados na restauração e replicar as experiências bem-sucedidas em outras unidades da Sanepar foram implementadas diferentes técnicas.
Os experimentos incluíram o uso de biomassa de plantas aquáticas no enriquecimento do solo, diferentes níveis de correção do solo, o plantio de mudas de árvores de crescimento lento e rápido de maneira intercalada e o monitoramento ambiental para controlar espécies exóticas e invasoras, como pinus, alfeneiro, pau-incenso, amoreira, ameixeira e uva-do-japão.
“Em alguns sítios também fizemos o plantio de espécies mais raras e ameaçadas de extinção, que precisam de um ‘empurrãozinho’ para começar a se desenvolver na área já preparada para que a restauração ocorra da forma mais rápida e com a melhor qualidade possível”, afirma o pesquisador.
PLANTIO DE MUDAS– O plantio de árvores foi feito com mudas produzidas pela própria Sanepar e parceiros como o Instituto Água e Terra (IAT), a ONG Sociedade Chauá e a Itaipu Binacional. A estratégia foi intercalar a plantação de espécies de crescimento lento com as que crescem rapidamente. Segundo o engenheiro florestal da Companhia, as plantas crescem e as folhas que caem ajudam a reproduzir a matéria orgânica do solo perdido e favorecem a regeneração natural.
“No início da sucessão ecológica, a área degradada se transforma em uma capoeira (vegetação secundária inicial). Após dez, 15 anos, evolui para um capoeirão (estágio intermediário de sucessão) e, dependendo do nível de degradação, após 30 ou 40 anos, o capoeirão se transforma gradativamente em uma floresta secundária jovem. Ao longo desse processo, espécies diferentes vão dominar o terreno, melhorar as condições locais e fixar o carbono atmosférico, mitigando gases de efeito estufa”, afirma.
Nas áreas degradadas do Piraquara II foi feito plantio de linhas de bracatinga, que tem rápido crescimento e garante sombra e umidade para as outras espécies de crescimento mais lento, como araçá, cedro e araucária, que foram plantadas nas entrelinhas. “Auxiliamos a natureza a fazer o seu papel. Aqui, temos de cinco a dez espécies por metro quadrado, com plântulas que vieram naturalmente, dispersadas por pássaros e pequenos mamíferos”, destaca Scheer.
PLANTAS AQUÁTICAS– Um dos estudos feitos por Maurício Scheer nos sítios experimentais foi o uso da biomassa de plantas aquáticas para a recuperação de áreas degradadas. As plantas, retiradas de uma infestação do Piraquara II, foram aplicadas em solos degradados e, após um ano, foi comprovado que a biomassa contribuiu para maior crescimento de vegetação, maior cobertura do solo e mais riqueza e diversidade de espécies de plantas.
Outra vantagem observada no uso da biomassa é a destinação eficiente e adequada das plantas aquáticas excedentes, que podem afetar os sistemas de abastecimento.
A pesquisa, intitulada “A restauração baseada na incorporação de macrófitas aquáticas em solos degradados pode aumentar a cobertura do solo, a riqueza florística e a diversidade em um ano em sítios no sul do Brasil?”, foi desenvolvida com os pesquisadores Charles Carneiro, especialista em Inovação e Novos Negócios da Sanepar, e a engenharia florestal Fabiane Vargas Reis, e publicada em uma das mais importantes revistas técnico-científicas na área de restauração ecológica, a Restoration Ecology. Acesse a publicação AQUI .
Outro experimento com a biomassa de plantas aquáticas também foi tema de um trabalho apresentado no XI Simpósio Nacional de Recuperação de Áreas Degradadas. Confira o estudo completo AQUI.
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