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Captação de órgãos no Huse une solidariedade e salva vidas em quatro estados

Após confirmação de morte encefálica, família de jovem de 21 anos autorizou doação e gesto transformou luto em esperança

23/02/2026 às 12h21
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe
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Fotos: Ascom SES
Fotos: Ascom SES

Em meio à dor da despedida, uma família sergipana tomou uma decisão capaz de mudar destinos. Após a confirmação de morte encefálica de um jovem de 21 anos, vítima de acidente automobilístico em Nossa Senhora da Glória, no alto sertão sergipano, os familiares autorizaram a doação de órgãos, possibilitando que pacientes em diferentes regiões do Brasil recebessem uma nova chance de viver.

A captação foi realizada no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), em Aracaju, nesta segunda-feira, 23, mobilizando uma ampla rede de profissionais da saúde. Do gesto de amor da família, foram viabilizados o fígado, os rins, o coração e as córneas, beneficiando pessoas em pelo menos quatro estados.

O fígado foi destinado ao Ceará; o rim direito seguiu para o Rio Grande do Sul; o rim esquerdo e o coração foram encaminhados para Pernambuco; e as córneas permaneceram em Sergipe, onde também poderão devolver a visão e a qualidade de vida a pacientes que aguardam por transplante.

A constatação da morte encefálica, condição que, conforme protocolo médico e legislação brasileira, caracteriza o óbito, ocorreu após rigorosa avaliação clínica e exames específicos realizados por equipe habilitada. Somente após a conclusão desse processo e o acolhimento dos familiares, a possibilidade de doação foi apresentada, respeitando todos os critérios técnicos, éticos e legais.

A operação contou com a atuação integrada das equipes do Huse, da Organização de Procura de Órgãos (OPO), da Central Estadual de Transplantes (CET) e de profissionais de outros estados. A logística envolveu desde a manutenção do potencial doador até o transporte aéreo dos órgãos, exigindo agilidade, precisão e articulação entre diferentes serviços.

A coordenadora da OPO, Darcyana Lisboa, destacou que cada procedimento carrega uma dimensão humana que vai além da técnica. “Cada processo de doação é conduzido com muito respeito e responsabilidade. Antes de qualquer ação, existe uma família vivendo um momento de dor profunda. Nosso papel é acolher, orientar e garantir que a decisão seja consciente e segura. Quando a família entende que a doação pode salvar outras vidas, esse gesto se torna um legado. É um ato de generosidade que ultrapassa fronteiras e leva esperança a quem aguarda, muitas vezes há anos, por uma nova oportunidade. Apesar de o transplante de rim já ser realizado em Sergipe, nesta ocasião não havia receptor compatível no estado. Por isso, os órgãos foram disponibilizados para a Central Nacional de Transplantes, que realizou a distribuição conforme os critérios técnicos e a lista única nacional”, afirmou.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) reforça que a doação de órgãos só acontece mediante autorização familiar. Por isso, é essencial que cada cidadão manifeste ainda em vida o desejo de ser doador. Um “sim” pode transformar o luto em solidariedade e representar recomeço para quem espera por uma nova chance.
 

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