
Com recursos do SUS Gaúcho, 71 crianças e adolescentes com diagnóstico de escoliose, uma curvatura anormal da coluna vertebral, desfrutam atualmente de mais qualidade de vida. Até o final do ano, o programa destinará R$ 6,2 milhões ao tratamento preventivo nos casos em que não há necessidade de cirurgia, oferecendo atendimento multiprofissional e acesso ao colete ortopédico do tipo Milwaukee a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
A ação da Secretaria da Saúde (SES) oferece um incentivo financeiro inédito no Rio Grande do Sul, dando apoio ao Programa Tratamento Conservador da Escoliose, que ampliou o fornecimento de coletes a pacientes de zero a 21 anos em acompanhamento nos serviços de saúde. O governo do Estado, por meio do SUS Gaúcho, investiu R$ 1,2 milhão em 2025, possibilitando atendimento multiprofissional – com ortopedista, neuropediatra, nutricionista e psicólogo, entre outros – a 66 pacientes, que passaram por consultas e exames de radiografia de coluna, recebendo tratamento em tempo oportuno. Do total, 42 receberam os coletes ortopédicos entre outubro e dezembro.
Em 2026, serão mais R$ 5 milhões investidos, com a meta de entrega de 25 novos coletes por mês. Até maio, 137 pacientes foram atendidos, dos quais 71 tiveram indicação para o uso do material. A meta para o ano é de um total de 300 novas consultas. Um destes pacientes, Augusto Muriel da Silva, de 14 anos, usa o colete desde março, depois de passar por consultas e exames na Associação Cristã de Deficientes Físicos (ACD), em Passo Fundo, no final de 2025.
“No final do ano, a madrinha dele notou algo errado na postura. Passamos por um clínico geral aqui em Montenegro, que nos encaminhou para um ortopedista. Lá em Passo Fundo, já na segunda consulta, o médico veio com o colete”, explicou o pai do adolescente, Ronildo Mazola da Silva. “O médico disse que ele chegou na hora certa. A gente não é especialista, mas já dá para ver que há uma melhora”, disse o pai.

Modernização do tratamento
A contratação do serviço pelo Estado impulsiona também a modernização tecnológica. Para dar conta dos atendimentos, a ACD adquiriu com recursos próprios, o robô Router CNC, equipamento que confecciona coletes ortopédicos personalizados com alta tecnologia. As órteses 3D são indicadas para curvas na coluna vertebral entre 25 e 45 graus de Cobb – medida padrão usada para diagnosticar e classificar a gravidade da escoliose – em pacientes em fase de crescimento, atuando para impedir a progressão da curvatura.
O modelo tridimensional é confeccionado a partir de escaneamento digital do corpo, com câmaras de expansão internas e áreas de alívio que proporcionam maior conforto e eficácia. Ao ser usado, ajuda a reduzir a rotação da coluna e corrige o alinhamento corporal de forma completa.
“Somos o primeiro serviço a disponibilizar no SUS o colete 3D, até então só existente na rede privada e de elevado custo”, destacou o diretor da ACD, Luiz Otávio Gama. “Este método tem 80% de eficácia, evitando assim a cirurgia complexa e de alto risco. O paciente também não fica com as limitações impostas pela fixação da coluna pelo método cirúrgico, tendo uma vida normal sem limitações e sem a necessidade do uso de parafusos e hastes cirúrgicas”, complementou.
Texto: Ascom SES
Edição: Secom
Mín. 24° Máx. 27°